Mediastinite Pós-Esternotomia: Reconstrução com Retalho Peitoral

AMP - Associação Médica do Paraná — Prova 2020

Enunciado

Mulher de 62 anos de idade, submetida a revascularização miocárdica, com pontes da artéria mamária interna e enxertos da veia safena, há 30 dias, apresenta incisão da esternotomia mediana aberta e infectada. Assinale a assertiva correta.

Alternativas

  1. A)  A infecção da ferida esternal e mediastinite após esternotomia mediana raramenteexigem reoperação para desbridamento e reconstrução pois cicatrizam por segunda intenção.
  2. B)  Os fatores de risco mais frequentes para infecção da ferida esternal e mediastinite apósesternotomia mediana incluem cirurgia cardíaca com duração prolongada e emprego de enxertos das veias safenas.
  3. C)  O retalho do músculo peitoral menor é o preferido para a reconstrução destas feridasesternais após a esternotomia mediana.
  4. D)  O retalho do músculo grande dorsal, Tipo V, baseado na artéria toracodorsal, é opreferido para a reconstrução da referida paciente pois a artéria mamária interna está comprometida.
  5. E)  O retalho do músculo peitoral maior, baseado na artéria toracoacromial, é o preferidopara a reconstrução destas feridas esternais após a esternotomia mediana.

Pérola Clínica

Infecção de esternotomia → retalho de peitoral maior (baseado na artéria toracoacromial) é a escolha para reconstrução.

Resumo-Chave

A infecção da ferida esternal e mediastinite após esternotomia mediana é uma complicação grave. O retalho do músculo peitoral maior, com sua rica vascularização pela artéria toracoacromial, é a opção preferencial para o desbridamento e reconstrução, oferecendo cobertura adequada e tecido vascularizado para combater a infecção.

Contexto Educacional

A infecção da ferida esternal e a mediastinite após esternotomia mediana são complicações devastadoras da cirurgia cardíaca, associadas a alta morbidade e mortalidade. O manejo eficaz exige uma abordagem multidisciplinar, com desbridamento cirúrgico agressivo e reconstrução com tecido vascularizado. A paciente do caso, com 30 dias de pós-operatório e incisão aberta e infectada, necessita de intervenção. Entre as opções de retalhos musculares para reconstrução da parede torácica anterior, o retalho do músculo peitoral maior é amplamente considerado a primeira escolha. Ele é baseado na artéria toracoacromial, que é uma fonte vascular confiável e geralmente não é comprometida pela cirurgia cardíaca prévia, mesmo com o uso da artéria mamária interna. Este retalho oferece volume adequado para preencher o defeito esternal, fornece tecido bem vascularizado para combater a infecção e promove a cicatrização. Outras opções, como o retalho do músculo grande dorsal (D), são geralmente reservadas para defeitos maiores ou falha do retalho peitoral, pois sua mobilização é mais complexa e a artéria toracodorsal pode ter sido comprometida em cirurgias prévias. O retalho do músculo peitoral menor (C) é muito pequeno para a maioria dos defeitos esternais. A afirmação de que raramente exigem reoperação (A) está incorreta, pois a mediastinite quase sempre requer desbridamento cirúrgico. Os fatores de risco (B) estão incompletos, e a duração prolongada da cirurgia e o uso de enxertos de safena são fatores de risco, mas a alternativa E é a mais precisa sobre a conduta.

Perguntas Frequentes

Quais são os fatores de risco para infecção da ferida esternal e mediastinite?

Fatores de risco incluem obesidade, diabetes mellitus, doença pulmonar obstrutiva crônica, uso prolongado de esteroides, reoperações, tempo cirúrgico prolongado, uso de ambas as artérias mamárias internas e técnica cirúrgica inadequada.

Por que o retalho do músculo peitoral maior é o preferido para a reconstrução da esternotomia infectada?

O retalho do músculo peitoral maior é preferido devido à sua proximidade anatômica, grande volume, excelente vascularização (principalmente pela artéria toracoacromial), e capacidade de preencher o espaço morto e fornecer tecido bem perfundido para combater a infecção e promover a cicatrização óssea.

Quais são os princípios do tratamento da mediastinite pós-esternotomia?

O tratamento envolve desbridamento cirúrgico agressivo do tecido necrótico e infectado, irrigação abundante, cultura de tecidos, antibioticoterapia sistêmica direcionada e, crucialmente, a reconstrução da parede torácica com retalhos musculares vascularizados para obliteração do espaço morto e cobertura.

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