Fundhacre - Fundação Hospital Estadual do Acre — Prova 2021
Estando de plantão na UPA, você atende um paciente portador de diabetes devido a uma lesão no pé esquerdo, com mais de 1 mês de evolução, piora referida há 4 dias e nota ferida na região plantar e drenagem de secreção purulenta além de halo de eritema com mais de 3 cm. Paciente nega dor. Exames laboratoriais informam glicemia de 456 mg/dl, creatinina 1,9 mg/dl e leucometria 13.000 cel/mm3. Qual das afirmações abaixo informa a melhor alternativa na condução do caso?
Pé diabético com infecção grave (eritema >3cm, secreção purulenta) → Internação, ATB IV, avaliação cirúrgica.
Infecções de pé diabético com sinais de gravidade, como eritema extenso (>3 cm), secreção purulenta e leucocitose, exigem internação hospitalar, antibioticoterapia parenteral de amplo espectro e avaliação cirúrgica urgente para desbridamento e controle da infecção, prevenindo complicações graves como osteomielite e amputação.
O pé diabético é uma complicação crônica do diabetes mellitus, caracterizada por neuropatia, vasculopatia e deformidades, que predispõem a lesões e infecções. As infecções de pé diabético representam uma das principais causas de internação hospitalar e amputações de membros inferiores em pacientes diabéticos. A identificação precoce e o manejo agressivo são cruciais para evitar desfechos desfavoráveis. A gravidade da infecção é classificada para guiar a conduta, e sinais como eritema >3 cm, secreção purulenta, e alterações sistêmicas indicam um quadro grave. A fisiopatologia envolve a combinação de neuropatia (sensorial, motora e autonômica) e doença arterial periférica. A neuropatia sensorial impede o paciente de sentir dor, levando ao atraso na busca por atendimento. A neuropatia motora causa deformidades, e a autonômica compromete a pele. A vasculopatia reduz o fluxo sanguíneo, dificultando a cicatrização e a entrega de antibióticos. O diagnóstico é clínico, mas exames laboratoriais (glicemia, leucograma, PCR) e de imagem (radiografia, ressonância magnética) auxiliam na avaliação da extensão e profundidade da infecção. O tratamento de infecções graves de pé diabético exige uma abordagem multidisciplinar. A internação hospitalar é imperativa para controle glicêmico rigoroso, antibioticoterapia parenteral de amplo espectro (cobrir gram-positivos, gram-negativos e anaeróbios) e avaliação cirúrgica urgente. A cirurgia pode envolver desbridamento de tecidos desvitalizados, drenagem de abscessos e, em casos extremos, amputação. O objetivo é erradicar a infecção, preservar o membro e melhorar a qualidade de vida do paciente, exigindo acompanhamento prolongado e educação para prevenção de novas lesões.
Uma infecção de pé diabético é considerada grave na presença de sinais de toxicidade sistêmica (febre, calafrios, leucocitose), instabilidade metabólica, ou sinais locais extensos como celulite > 3 cm, secreção purulenta profunda, necrose, ou envolvimento de estruturas profundas (osso, articulação).
A internação permite monitoramento rigoroso, controle glicêmico intensivo e administração de antibióticos parenterais de amplo espectro, que são mais eficazes contra os patógenos comuns e garantem concentrações terapêuticas elevadas no local da infecção, crucial para infecções profundas e extensas.
A avaliação cirúrgica é fundamental para desbridamento de tecidos necróticos, drenagem de abscessos, remoção de corpo estranho e, se necessário, amputações. A intervenção cirúrgica precoce é vital para remover o foco infeccioso e prevenir a progressão da doença, salvando o membro e a vida do paciente.
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