Santa Casa de Marília (SP) — Prova 2019
Um recém-nascido prematuro com 10 dias de vida desenvolveu quadro infeccioso com hemocultura periférica positiva para S. coagulase negativo. Esse recém-nascido possuía um cateter venoso central no sétimo dia de instalação, retirado ao diagnóstico da sepse. A ponta do cateter, enviada para cultura, teve resultado positivo para o mesmo agente. O diagnóstico infeccioso da criança é de:
Sepse neonatal + hemocultura periférica e cultura ponta de cateter positivas para mesmo agente = Infecção de Corrente Sanguínea Relacionada ao Cateter (ICSRC).
O diagnóstico de infecção de corrente sanguínea relacionada ao cateter (ICSRC) é estabelecido quando há evidência de sepse e culturas positivas (sangue periférico e ponta do cateter) para o mesmo microrganismo, especialmente em pacientes com cateteres de longa permanência. Staphylococcus coagulase-negativo é um patógeno comum nessas infecções.
As infecções de corrente sanguínea relacionadas ao cateter (ICSRC) representam uma das principais causas de morbidade e mortalidade em recém-nascidos prematuros internados em unidades de terapia intensiva neonatal. A presença de um cateter venoso central, essencial para o suporte nutricional e medicamentoso, é um fator de risco significativo para essas infecções, que podem prolongar a internação e aumentar os custos hospitalares. A fisiopatologia da ICSRC envolve a colonização da superfície externa ou interna do cateter por microrganismos, frequentemente da flora cutânea do paciente ou das mãos da equipe de saúde. Esses microrganismos, como o Staphylococcus coagulase negativo, formam biofilmes que os protegem dos antibióticos e da resposta imune do hospedeiro, levando à disseminação para a corrente sanguínea. O diagnóstico preciso é fundamental para o manejo adequado. A confirmação de ICSRC requer a identificação do mesmo microrganismo em hemocultura periférica e na cultura da ponta do cateter, ou através de hemoculturas diferenciais. O tratamento geralmente envolve a remoção do cateter infectado e a administração de antibióticos sistêmicos, sendo a prevenção através de técnicas assépticas rigorosas e manutenção adequada do cateter a melhor estratégia.
Os critérios incluem a presença de sinais e sintomas de infecção sistêmica, hemocultura positiva para um patógeno e, idealmente, a cultura positiva da ponta do cateter para o mesmo microrganismo, ou hemoculturas diferenciais positivas.
Recém-nascidos prematuros possuem um sistema imunológico imaturo, pele mais fina e barreira cutânea comprometida, além da necessidade frequente de cateteres venosos centrais de longa permanência, o que aumenta o risco de colonização e infecção.
Staphylococcus coagulase negativo (S. epidermidis, S. hominis, etc.) são os patógenos mais comuns em ICSRC, especialmente em neonatos. Eles são parte da flora cutânea e podem formar biofilmes nos cateteres, dificultando a erradicação da infecção.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo