Sepse por Cateter Central: Risco de Candidemia e Endoftalmite

SES-PE - Secretaria de Estado de Saúde de Pernambuco — Prova 2020

Enunciado

Um paciente diabético de 60 anos foi admitido à unidade de terapia intensiva, com quadro de coma hiperosmolar não cetótico, há 15 dias. Evoluiu depois disso com íleo paralítico que requereu início de nutrição parenteral total há nove dias. Ontem de madrugada, ele apresentou calafrios, febre e hipotensão, mas a enfermagem não comunicou ao médico plantonista naquele momento. Não há sinais de infecção em outros sítios. Na manhã seguinte, você vai avaliar o paciente e percebe hiperemia no sítio de inserção do cateter jugular. Assinale a alternativa CORRETA com relação a esse caso.

Alternativas

  1. A) Você deve solicitar três amostras de hemocultura que deverão ser colhidas através do cateter central, no momento de nova bacteremia.
  2. B) Deve ser iniciado esquema antibiótico empírico logo após a coleta das culturas. A combinação de linezolida e meropenem seria uma boa opção para esse caso.
  3. C) Pensando em infecção de corrente sanguínea, é essencial a avaliação do ecocardiograma, independente do resultado da hemocultura.
  4. D) Como o paciente precisa manter a nutrição parenteral, o cateter deverá ser mantido, desde que se inicie antibioticoterapia imediatamente.
  5. E) Esse paciente tem risco elevado de infecção de corrente sanguínea por Candida, situação em que está indicada avaliação oftalmológica rotineira para a pesquisa de endoftalmite.

Pérola Clínica

NPT + cateter central + sepse + diabético → alto risco candidemia. Avaliar endoftalmite.

Resumo-Chave

Pacientes em NPT prolongada, com cateter venoso central e comorbidades como diabetes, têm alto risco de infecção fúngica invasiva, especialmente por Candida spp. A candidemia pode levar à endoftalmite, uma complicação grave que exige avaliação oftalmológica rotineira para seu diagnóstico precoce e tratamento.

Contexto Educacional

A infecção de corrente sanguínea relacionada a cateter (ICSRC) é uma complicação grave e frequente em pacientes internados em unidades de terapia intensiva, especialmente aqueles com cateteres venosos centrais de longa permanência. O paciente do caso apresenta múltiplos fatores de risco para ICSRC, incluindo o uso de cateter jugular, nutrição parenteral total (NPT) por 9 dias, diabetes mellitus e um quadro de sepse (calafrios, febre, hipotensão) com hiperemia no sítio do cateter. Um aspecto crítico neste cenário é o risco elevado de infecção fúngica, particularmente por Candida spp. Pacientes em NPT prolongada, com diabetes descompensado, uso de antibióticos de amplo espectro e cateteres centrais são altamente suscetíveis à candidemia. A candidemia é uma infecção grave que pode disseminar-se para diversos órgãos, sendo a endoftalmite fúngica uma complicação ocular devastadora que pode levar à cegueira se não for prontamente identificada e tratada. Por isso, a avaliação oftalmológica é rotineira nesses casos. O manejo da ICSRC envolve a remoção do cateter infectado, coleta de hemoculturas (do cateter e periféricas) e início de antibioticoterapia empírica de amplo espectro, que deve incluir cobertura antifúngica (como equinocandinas ou fluconazol) em pacientes de alto risco para candidemia. A escolha dos antimicrobianos deve ser guiada pela epidemiologia local e fatores de risco do paciente, ajustando-se após os resultados das culturas e testes de sensibilidade.

Perguntas Frequentes

Quais fatores de risco aumentam a chance de candidemia em pacientes críticos?

Fatores de risco incluem uso prolongado de cateter venoso central, nutrição parenteral total, antibioticoterapia de amplo espectro, diabetes mellitus, imunossupressão, cirurgia abdominal recente e internação prolongada em UTI.

Por que a avaliação oftalmológica é indicada em casos de candidemia?

A candidemia pode levar à disseminação hematogênica para diversos órgãos, incluindo os olhos, causando endoftalmite fúngica. Esta complicação é grave e pode resultar em perda de visão se não for diagnosticada e tratada precocemente.

Qual a abordagem inicial para um paciente com suspeita de infecção de corrente sanguínea relacionada a cateter?

A abordagem inicial inclui a coleta de hemoculturas (pelo cateter e por veia periférica), remoção do cateter se houver sinais de infecção local ou instabilidade hemodinâmica, e início de antibioticoterapia empírica de amplo espectro, cobrindo gram-positivos, gram-negativos e, em casos de alto risco, fungos.

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