SES-PE - Secretaria de Estado de Saúde de Pernambuco — Prova 2025
Homero, de 6 anos, masculino, portador de anemia falciforme, é internado com quadro de pneumonia, sendo iniciado tratamento com ceftriaxone via acesso venoso central. Paciente apresentou melhora inicial, mas, no quarto dia de antibioticoterapia, ele evoluiu com febre e calafrios. Durante a infusão do antibiótico, o paciente apresentou piora súbita, com sudorese, taquicardia e discreta queda da pressão arterial, sendo necessária a realização de expansão volêmica, o uso de adrenalina e a ampliação do esquema antimicrobiano. Durante o internamento, cresceu uma bactéria gram positiva coagulase negativa, com crescimento em 2 horas, na hemocultura coletada durante a febre. O paciente evoluiu com melhora clínica após a mudança do esquema antibiótico e recebeu alta em boas condições clínicas. Diante do evento, qual o provável agente etiológico?
Febre/calafrios na infusão via CVC + Gram+ Coagulase-negativa = Infecção por Staph. coagulase-negativo.
A ocorrência de febre e instabilidade hemodinâmica durante a manipulação de um acesso venoso central, associada ao crescimento de bactéria Gram-positiva coagulase-negativa, é altamente sugestiva de infecção de corrente sanguínea relacionada ao cateter.
Pacientes com anemia falciforme são funcionalmente asplênicos e apresentam maior risco de infecções graves por germes encapsulados e, quando portadores de cateteres de longa permanência, por patógenos hospitalares. A tríade de febre, calafrios e hipotensão logo após a manipulação do cateter é o sinal clássico de 'flush' bacterêmico. O crescimento em apenas 2 horas na hemocultura sugere uma alta carga bacteriana, típica de colonização massiva do dispositivo. O tratamento bem-sucedido requer não apenas o suporte hemodinâmico, mas a escolha de antibióticos que vençam a resistência comum dos estafilococos coagulase-negativos hospitalares. Este caso reforça a necessidade de vigilância rigorosa em pacientes crônicos hospitalizados.
O Staphylococcus epidermidis faz parte da microbiota normal da pele. Ele possui uma capacidade única de produzir biofilme (slime), uma matriz extracelular que permite a adesão firme a superfícies sintéticas como o poliuretano ou silicone dos cateteres venosos centrais. Esse biofilme protege a bactéria contra a ação de antibióticos e do sistema imune do hospedeiro, facilitando a colonização do lúmen do cateter e subsequente bacteremia durante a manipulação ou infusão de fluidos.
A conduta inicial inclui a coleta de hemoculturas pareadas (uma do cateter e outra de veia periférica) e o início de antibioticoterapia empírica com cobertura para Gram-positivos (frequentemente Vancomicina, devido à resistência à oxacilina). Se houver instabilidade hemodinâmica, sinais de infecção no túnel ou sítio de saída, ou se o agente for virulento (como S. aureus ou Candida), a remoção do cateter é mandatória. No caso clínico, a melhora após mudança do esquema e expansão volêmica indica manejo de choque séptico.
Não, o termo 'Streptococcus epidermidis' é um erro taxonômico. O agente Gram-positivo, coagulase-negativo, que cresce rapidamente em hemoculturas e está associado a cateteres é o Staphylococcus epidermidis. Embora o gabarito da questão aponte a alternativa B, é importante que o médico residente reconheça que se trata de uma falha na elaboração da questão, onde o gênero correto deveria ser Staphylococcus.
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