UFPR/HC - Complexo Hospital de Clínicas da UFPR (PR) — Prova 2022
Paciente de 30 anos, sexo masculino, internado há 10 dias por insuficiência renal aguda e em hemodiálise, apresentou quadro de febre, taquicardia e calafrios no início da manhã de ontem. Realizou-se coleta de hemoculturas das duas vias do cateter de diálise e de sangue periférico no mesmo momento, sendo que na manhã de hoje, às 08h00min, houve positivação de hemocultura coletada através do cateter e, às 11h00min, também houve positivação de hemocultura coletada de sangue periférico. Em ambas as coletas houve crescimento de cocos Gram-positivos agrupados, inicialmente identificados como Staphylococcus aureus, com resultado de antibiograma ainda pendente. Considerando o contexto clínico apresentado e o diagnóstico e tratamento de infecção de corrente sanguínea associada a cateter (ICSAC), assinale a alternativa correta.
ICSAC: hemocultura cateter positiva >2h antes da periférica + sinais sistêmicos → remover cateter e iniciar Vancomicina.
O diagnóstico de ICSAC é fortemente sugerido quando a hemocultura coletada do cateter central positiva pelo menos 2 horas antes da hemocultura periférica, na presença de sinais sistêmicos de infecção. A identificação de Staphylococcus aureus, um patógeno comum em ICSAC, reforça a necessidade de remoção do cateter e início de antibioticoterapia empírica com vancomicina, devido à alta prevalência de S. aureus resistente à meticilina (MRSA) em ambiente hospitalar.
A Infecção de Corrente Sanguínea Associada a Cateter (ICSAC) é uma complicação grave e comum em pacientes hospitalizados com cateteres vasculares, especialmente aqueles em hemodiálise. O diagnóstico de ICSAC é baseado em critérios clínicos e microbiológicos. Clinicamente, o paciente apresenta sinais sistêmicos de infecção, como febre, calafrios e taquicardia, sem outro foco aparente. Microbiologicamente, a ICSAC é confirmada pela positividade de hemoculturas, com um diferencial de tempo de positivação entre amostras coletadas do cateter e de veia periférica. No caso apresentado, a positivação da hemocultura do cateter 3 horas antes da periférica (8h00 vs 11h00) é um forte indicativo de ICSAC. A identificação de cocos Gram-positivos agrupados, inicialmente como Staphylococcus aureus, é particularmente relevante, pois este é um dos principais patógenos causadores de ICSAC e frequentemente apresenta resistência à meticilina (MRSA) em ambiente hospitalar. A conduta terapêutica para ICSAC por Staphylococcus aureus envolve a remoção do cateter infectado, pois o biofilme bacteriano formado na superfície do cateter impede a erradicação da infecção apenas com antibióticos. A antibioticoterapia empírica deve ser iniciada com vancomicina, que cobre MRSA, até que o resultado do antibiograma esteja disponível para direcionar um tratamento mais específico. A falha em remover o cateter ou em iniciar uma terapia antimicrobiana adequada pode levar a complicações graves, como endocardite e osteomielite.
Os critérios incluem sinais e sintomas de infecção sistêmica, hemocultura positiva de sangue periférico e de cateter, e um tempo diferencial de positivação da hemocultura do cateter de pelo menos 2 horas antes da periférica, ou cultura de ponta de cateter positiva.
A conduta inicial para ICSAC por Staphylococcus aureus, especialmente em pacientes hospitalizados, inclui a remoção do cateter infectado e o início de antibioticoterapia empírica com vancomicina, devido à alta prevalência de MRSA, aguardando o antibiograma.
A remoção do cateter é crucial porque o biofilme formado na superfície do cateter protege as bactérias dos antibióticos, tornando a erradicação da infecção muito difícil sem a sua retirada, além de ser uma fonte contínua de bacteremia.
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