UFMA/HU-UFMA - Hospital Universitário da UFMA (MA) — Prova 2021
Mulher de 59 anos foi admitida em unidade de terapia intensiva devido à acidente vascular cerebral. No 8º dia de internação evoluiu com febre e leucocitose. Não apresentou piora ventilatória e a radiografia de tórax era normal. Tinha como dispositivos o tubo orotraqueal, sonda nasoenteral, cateter venoso central em veia jugular D e sonda vesical de demora, todos inseridos desde a admissão. As duas amostras de hemocultura apresentaram crescimento de Staphylococcus aureus resistente à oxacilina (MRSA). Em relação a esse caso, assinale a alternativa que apresenta a conduta MAIS ADEQUADA:
MRSA em hemocultura + CVC → CRBSI provável, remover cateter para cultura e iniciar ATB, coletar hemoculturas de controle após 72h.
A paciente em UTI com CVC de longa data, febre, leucocitose e hemoculturas positivas para MRSA tem alta probabilidade de infecção de corrente sanguínea associada ao cateter (CRBSI). A conduta mais adequada inclui a remoção do cateter (com envio da ponta para cultura), início de antibioticoterapia eficaz contra MRSA (ex: vancomicina) e coleta de hemoculturas de controle para monitorar a resposta ao tratamento.
As infecções de corrente sanguínea associadas a cateter venoso central (CRBSI) são complicações graves e frequentes em unidades de terapia intensiva (UTI), aumentando a morbidade, mortalidade e tempo de internação. Pacientes com múltiplos dispositivos invasivos, como a mulher do caso, são particularmente vulneráveis. A febre e a leucocitose, na ausência de outro foco evidente (como pneumonia, que foi descartada pela radiografia normal), em um paciente com CVC, devem levantar forte suspeita de CRBSI. O isolamento de Staphylococcus aureus resistente à oxacilina (MRSA) em duas hemoculturas é um achado crítico. O MRSA é um patógeno comum em CRBSI e sua presença exige tratamento específico. A conduta mais adequada para CRBSI por S. aureus, especialmente MRSA, inclui a remoção do cateter venoso central. A ponta do cateter deve ser enviada para cultura para confirmar a etiologia. A persistência do cateter infectado atua como um foco contínuo de bacteremia, dificultando a erradicação da infecção. Concomitantemente à remoção do cateter, deve-se iniciar a antibioticoterapia sistêmica com um agente eficaz contra MRSA, como a vancomicina. A coleta de hemoculturas de controle após 72 horas de terapia eficaz é recomendada para confirmar a esterilização da corrente sanguínea e guiar a duração do tratamento. A ausência de eritema ou secreção purulenta no sítio de punção não exclui o diagnóstico de CRBSI, pois a infecção pode ser intraluminal.
Os critérios incluem febre, calafrios ou hipotensão, hemoculturas positivas de sangue periférico e do cateter (com crescimento diferencial de tempo) ou cultura positiva da ponta do cateter, na ausência de outro foco infeccioso evidente.
A remoção do cateter é obrigatória em casos de infecção por S. aureus (incluindo MRSA), fungos, micobactérias, bacilos Gram-negativos não fermentadores, bacteremia persistente após 72h de ATB, endocardite, tromboflebite séptica ou infecção do túnel/bolsão.
O tratamento empírico inicial para CRBSI em UTI deve cobrir Gram-positivos (incluindo MRSA, como vancomicina) e Gram-negativos (como cefepime ou carbapenêmico), ajustando-se após os resultados das culturas e antibiograma.
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