USP/HCFMUSP - Hospital das Clínicas da FMUSP (SP) — Prova 2024
Homem, 43 anos, está internado há 35 dias devido à ressecção intestinal extensa em uso de nutrição parenteral exclusiva. Fez uso pós-operatório de ceftriaxone e metronidazol por 5 dias e, desde então, está sem antibiótico. Há 3 horas apresentou temperatura de 38,5 ºC. Ao exame físico, encontra-se em bom estado geral; FC: 80 bpm; PA: 130x80 mmHg; perfusão periférica normal; ausculta pulmonar sem alterações; abdome flácido, indolor e com a ferida operatória sem sinais infecciosos. A inspeção do sítio do cateter encontra-se na imagem a seguir:Exames laboratoriais: ⦁ Hb: 10,2 g/dL ⦁ Leucócitos: 11.330/mm³⦁ PCR: 20 mg/L Solicitada coleta de hemocultura. Com base nessas informações, assinale qual é a conduta mais adequada neste momento.
Paciente com nutrição parenteral + febre + sinais flogísticos no cateter → Alta suspeita de infecção de cateter = Retirar cateter + Hemocultura.
Em um paciente com nutrição parenteral prolongada, febre e sinais inflamatórios no sítio de inserção do cateter venoso central, a principal suspeita é de infecção relacionada ao cateter. A conduta inicial mais adequada é a retirada do cateter, coleta de hemoculturas (do cateter e periférica) e, em casos de estabilidade hemodinâmica, aguardar resultados para guiar a antibioticoterapia.
A infecção de corrente sanguínea associada a cateter venoso central (ICSC-CVC) é uma complicação grave e comum em pacientes internados, especialmente aqueles em uso prolongado de cateteres para nutrição parenteral, quimioterapia ou hemodiálise. A epidemiologia mostra que essas infecções aumentam a morbimortalidade, o tempo de internação e os custos hospitalares. A prevenção, através de técnicas assépticas na inserção e manutenção, é primordial. A fisiopatologia envolve a colonização do cateter por microrganismos da pele do paciente ou por contaminação extraluminal/intraluminal. O diagnóstico é suspeitado clinicamente por febre sem outra fonte aparente e confirmado por hemoculturas positivas, especialmente se houver evidência de infecção local no sítio de inserção ou tempo diferencial de positividade entre hemoculturas do cateter e periféricas. A conduta inicial em caso de suspeita de ICSC-CVC, especialmente com sinais flogísticos no sítio e estabilidade hemodinâmica, é a retirada do cateter e a coleta de hemoculturas. A antibioticoterapia empírica pode ser iniciada após as culturas, mas a remoção da fonte de infecção (o cateter) é crucial para o sucesso do tratamento. O prognóstico melhora significativamente com a remoção precoce do cateter infectado. Pontos de atenção incluem a escolha do antibiótico empírico com base na epidemiologia local e fatores de risco do paciente, e o ajuste da terapia após os resultados das culturas e antibiograma.
Os sinais de infecção de cateter venoso central incluem febre, calafrios, sinais flogísticos no sítio de inserção (eritema, dor, calor, edema, secreção), e hemoculturas positivas, especialmente se houver diferença de tempo para positividade entre amostras do cateter e periféricas.
A retirada do cateter é indicada na maioria dos casos de infecção de corrente sanguínea associada a cateter, especialmente se houver sinais de infecção local, instabilidade hemodinâmica, infecção por certos microrganismos (ex: *S. aureus*, *Candida*), ou falha na resposta à antibioticoterapia.
A hemocultura é fundamental para identificar o agente etiológico e guiar a antibioticoterapia. Recomenda-se coletar amostras do lúmen do cateter e de uma veia periférica para auxiliar no diagnóstico diferencial e na confirmação da origem da infecção.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo