CMV Congênito: Diagnóstico, Tratamento e Sequência

UNAERP - Universidade de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2019

Enunciado

RN internado na UTI Neonatal com quadro de plaquetopenia, colestase e instabilidade clínica. Foi solicitada Tomografia de Crânio que mostrou calcificações periventriculares e feita a suspeita de infecção congênita por CMV, sobre a qual, é incorreto afirmar: 

Alternativas

  1. A) Tanto a primo-infecção materna quanto a recorrente podem causar a infecção congênita por CMV.
  2. B) É a principal causa de surdez neuro sensorial não genética na infância. 
  3. C) O vírus pode ser excretado por anos na urina dos pacientes. 
  4. D) O tratamento é realizado com aciclovir, apenas em casos com alterações neurológicas ou surdez. 
  5. E) A surdez decorrente da infecção congênita por CMV pode estar presente ao nascimento ou manifestar-se tardiamente. 

Pérola Clínica

CMV congênito: tratamento com valganciclovir/ganciclovir, não aciclovir, para doença sintomática.

Resumo-Chave

O tratamento da infecção congênita por CMV é feito com ganciclovir ou valganciclovir, e não com aciclovir. A indicação é para casos sintomáticos, especialmente com envolvimento neurológico ou surdez, visando reduzir a progressão da doença e sequelas.

Contexto Educacional

A infecção congênita por Citomegalovírus (CMV) é a infecção viral congênita mais comum, com uma prevalência significativa globalmente. É uma causa importante de morbidade e mortalidade neonatal, sendo a principal causa infecciosa de surdez neurosensorial não genética e de deficiência intelectual em crianças. O diagnóstico precoce e o manejo adequado são cruciais para minimizar as sequelas a longo prazo. A transmissão pode ocorrer tanto por primo-infecção materna quanto por reativação ou reinfecção durante a gestação, com a primo-infecção geralmente associada a maior risco de doença fetal grave. As manifestações clínicas variam desde assintomáticas ao nascimento até quadros graves com envolvimento multissistêmico, incluindo calcificações periventriculares, microcefalia, hepatoesplenomegalia, icterícia, plaquetopenia e surdez. O tratamento da infecção congênita por CMV sintomática é realizado com agentes antivirais específicos, como o valganciclovir (oral) ou ganciclovir (intravenoso), que atuam inibindo a replicação viral. O aciclovir, embora seja um antiviral, não é eficaz contra o CMV. O tratamento é indicado para recém-nascidos com doença sintomática, especialmente aqueles com envolvimento do sistema nervoso central ou surdez, com o objetivo de reduzir a progressão da perda auditiva e melhorar os desfechos neurológicos. A excreção viral na urina pode persistir por anos, o que é importante para o controle de infecção.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais e sintomas da infecção congênita por CMV?

A infecção congênita por CMV pode ser assintomática ao nascimento ou apresentar sinais como restrição de crescimento intrauterino, microcefalia, calcificações intracranianas (periventriculares), surdez neurosensorial, hepatoesplenomegalia, icterícia e plaquetopenia.

Qual é o tratamento recomendado para a infecção congênita por CMV sintomática?

O tratamento para a infecção congênita por CMV sintomática é feito com valganciclovir oral ou ganciclovir intravenoso, especialmente em casos com envolvimento do SNC ou surdez, para prevenir a progressão da doença e minimizar sequelas.

A primo-infecção materna é a única forma de transmissão congênita do CMV?

Não, tanto a primo-infecção materna quanto a reativação ou reinfecção por outra cepa de CMV durante a gestação podem levar à transmissão congênita, embora a primo-infecção geralmente esteja associada a maior risco de doença grave no feto.

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