CMV Congênito: Diagnóstico e Achados Clínicos no RN

USP/HCFMUSP - Hospital das Clínicas da FMUSP (SP) — Prova 2020

Enunciado

No exame físico inicial de um recém-nascido de termo, masculino, pequeno para idade gestacional, foi notado microcefalia (PC: 31 cm) e presença de petéquias em face. Frente aos achados, foi realizada uma ultrassonografia transfontanela, com achado de calcificações peri-ventriculares, sem outras alterações. Também colhido hemograma, com Hb 16,2, Ht 41%, leucócitos: 11.300, plaquetas: 75.000. Triagem auditiva neonatal: falhou bilateralmente. Nasceu de parto cesárea por iteratividade, filho de mãe de 32 anos, tercigesta, sem comorbidades e com pré-natal inadequado, sem coleta de exames. Os seguintes exames maternos foram colhidos nesta internação: HIV: negativo; VDRL: negativo; Hepatite C: negativo; Hepatite B: Anti-HBs positivo, anti-HBc negativo, Hbs Ag negativo; Toxoplasmose: lgM negativo / lgG negativo; Rubéola: lgM negativo / IgG positivo; Citomegalovírus: IgM negativo / IgG positivo.Frente a principal hipótese diagnóstica, a conduta indicada é:

Alternativas

  1. A) Coleta de teste do pezinho ampliado e cariótipo.
  2. B) Pesquisa de citomegalovírus por PCR na urina.
  3. C) Aplicar vacina e imunoglobulina para hepatite B.
  4. D) Pesquisar consumo excessivo de álcool na gestação.

Pérola Clínica

Microcefalia + calcificações periventriculares + petéquias + plaquetopenia + falha TA → CMV congênito; confirmar com PCR urina/saliva < 3 semanas.

Resumo-Chave

O quadro clínico do RN (microcefalia, PIG, petéquias, calcificações periventriculares, plaquetopenia, falha na triagem auditiva) é altamente sugestivo de infecção congênita por CMV. A sorologia materna (IgM negativo, IgG positivo) indica infecção prévia, mas não exclui reativação ou reinfecção. A confirmação diagnóstica no RN é feita por PCR para CMV em urina ou saliva nas primeiras 3 semanas de vida.

Contexto Educacional

A infecção congênita por Citomegalovírus (CMV) é a infecção viral congênita mais comum e uma das principais causas de deficiência neurológica e auditiva em crianças. Embora a maioria dos recém-nascidos infectados seja assintomática ao nascimento, uma parcela significativa desenvolverá sequelas a longo prazo, sendo a perda auditiva neurossensorial a mais frequente e muitas vezes progressiva. O quadro clínico de um recém-nascido com CMV congênito sintomático pode ser bastante variado, incluindo restrição de crescimento intrauterino (PIG), microcefalia, petéquias, icterícia, hepatoesplenomegalia, plaquetopenia e calcificações intracranianas, especialmente periventriculares, visíveis na ultrassonografia transfontanela. A falha na triagem auditiva neonatal é um forte indicativo que exige investigação imediata. O diagnóstico definitivo no recém-nascido é crucial e deve ser feito pela detecção do vírus (DNA por PCR ou cultura viral) em amostras de urina ou saliva coletadas nas primeiras três semanas de vida. A sorologia materna, mesmo com IgM negativo e IgG positivo, não exclui a infecção congênita, pois a reativação ou reinfecção materna pode levar à transmissão vertical. O tratamento antiviral com ganciclovir ou valganciclovir pode ser considerado para recém-nascidos sintomáticos, visando reduzir a progressão da perda auditiva e outras sequelas neurológicas. Residentes devem estar aptos a reconhecer os sinais e a conduzir o diagnóstico e manejo dessa importante condição para otimizar o prognóstico infantil.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais achados clínicos que sugerem infecção congênita por CMV?

Os achados incluem microcefalia, restrição de crescimento intrauterino (PIG), petéquias, icterícia, hepatoesplenomegalia, plaquetopenia, calcificações intracranianas (especialmente periventriculares) e perda auditiva neurossensorial, que pode ser detectada na triagem auditiva.

Como é feito o diagnóstico definitivo de CMV congênito no recém-nascido?

O diagnóstico definitivo é realizado pela detecção do DNA do CMV (por PCR) em amostras de urina ou saliva do recém-nascido coletadas nas primeiras 3 semanas de vida. A cultura viral também pode ser utilizada, mas o PCR é mais rápido e sensível.

Por que a sorologia materna de CMV IgM negativo e IgG positivo não exclui CMV congênito?

Embora IgM negativo sugira ausência de infecção primária recente, a infecção congênita por CMV pode ocorrer devido à reativação de uma infecção materna crônica ou a uma reinfecção por uma nova cepa do vírus, mesmo com IgG positivo. Por isso, a confirmação no RN é crucial.

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