Citomegalovírus Congênito: Diagnóstico e Sinais Chave

HIAE/Einstein - Hospital Israelita Albert Einstein (SP) — Prova 2023

Enunciado

Primigesta, 15 anos, com pré-natal tardio, dá à luz um recém-nascido com 38 semanas e peso de 1.894 g. Ao exame na sala de parto observou-se hepatoesplenomegalia, petéquias e púrpuras por todo corpo. A criança evoluiu com icterícia precoce e o ultrassom transfontanela indicou calcificações periventriculares. Entre as seguintes hipóteses diagnósticas, a mais provável para este recém-nascido é

Alternativas

  1. A) infecção pelo vírus Zika.
  2. B) infecção pelo citomegalovírus.
  3. C) toxoplasmose congênita.
  4. D) sífilis congênita.

Pérola Clínica

CMV congênito = calcificações periventriculares + hepatoesplenomegalia + petéquias/púrpuras + icterícia neonatal.

Resumo-Chave

A tríade clássica de calcificações periventriculares, hepatoesplenomegalia e petéquias/púrpuras, juntamente com icterícia precoce, é altamente sugestiva de infecção congênita por citomegalovírus (CMV), uma das infecções TORCH mais comuns e com sequelas neurológicas significativas.

Contexto Educacional

A infecção congênita por citomegalovírus (CMV) é a causa mais comum de infecção congênita viral e uma das principais causas de deficiência neurológica não genética em crianças. Estima-se que afete cerca de 0,2% a 2% dos nascidos vivos globalmente, sendo mais prevalente em gestantes com pré-natal tardio ou ausente. A compreensão de suas manifestações clínicas é crucial para o diagnóstico e manejo. A fisiopatologia envolve a transmissão transplacentária do vírus, que pode ocorrer em qualquer trimestre, mas é mais grave quando a infecção materna primária ocorre no primeiro trimestre. O diagnóstico é suspeitado por achados clínicos como hepatoesplenomegalia, petéquias, púrpuras, icterícia e, crucialmente, calcificações periventriculares no ultrassom transfontanela. A confirmação é feita por PCR para CMV em urina ou saliva do recém-nascido nas primeiras 3 semanas de vida. O tratamento antiviral com ganciclovir ou valganciclovir é indicado para recém-nascidos sintomáticos, visando reduzir a progressão da perda auditiva e outras sequelas neurológicas. O prognóstico varia amplamente, mas a identificação precoce e a intervenção são fundamentais para minimizar o impacto das sequelas, que podem incluir surdez neurossensorial, atraso no desenvolvimento e paralisia cerebral.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais clássicos da infecção congênita por citomegalovírus?

Os sinais clássicos incluem calcificações periventriculares no ultrassom transfontanela, hepatoesplenomegalia, petéquias, púrpuras e icterícia precoce. Outros achados podem ser microcefalia e restrição de crescimento intrauterino.

Como diferenciar CMV congênito de outras infecções TORCH?

A localização das calcificações intracranianas é um diferencial importante: periventriculares para CMV, difusas para toxoplasmose. A presença de coriorretinite é mais comum na toxoplasmose, enquanto a surdez neurossensorial é frequente no CMV.

Qual a importância do diagnóstico precoce do citomegalovírus congênito?

O diagnóstico precoce permite iniciar o tratamento antiviral, como o ganciclovir ou valganciclovir, que pode reduzir a gravidade das sequelas neurológicas e auditivas, melhorando o prognóstico a longo prazo do recém-nascido.

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