Citomegalovírus Congênito: Diagnóstico e Manifestações Clínicas

Santa Casa de São Paulo - ISCMSP/FCMSCSP (SP) — Prova 2021

Enunciado

Um recém-nascido de 37 semanas apresenta microcefalia, tomografia de crânio com calcificações periventriculares, fundo de olho com coriorretinite bilateral e avaliação auditiva com comprometimento à esquerda.Com base nesse caso hipotético, assinale a alternativa correta.

Alternativas

  1. A) A maioria dos casos de transmissão vertical ocorre no momento do parto.
  2. B) As lesões ósseas encontradas geralmente são bilaterais e simétricas, incidindo mais no rádio e na ulna.
  3. C) A detecção do agente na urina do recém-nascido nas primeiras duas semanas de vida confirma o diagnóstico de infecção congênita.
  4. D) Como há o acometimento do sistema nervoso central, o tratamento deve ser feito por um ano.
  5. E) A decisão do tratamento depende da carga viral.

Pérola Clínica

CMV congênito: microcefalia, calcificações periventriculares, coriorretinite. Diagnóstico: detecção viral na urina < 2 semanas.

Resumo-Chave

O quadro clínico de microcefalia, calcificações periventriculares e coriorretinite é clássico da infecção congênita por Citomegalovírus (CMV). O diagnóstico definitivo de infecção congênita por CMV é feito pela detecção do vírus (PCR ou cultura) na urina ou saliva do recém-nascido nas primeiras duas semanas de vida, diferenciando-a da infecção perinatal ou pós-natal.

Contexto Educacional

A infecção congênita por Citomegalovírus (CMV) é a infecção viral congênita mais comum, sendo uma importante causa de morbidade e mortalidade neonatal. O quadro clínico apresentado no enunciado, com microcefalia, calcificações periventriculares na tomografia de crânio, coriorretinite bilateral e perda auditiva, é altamente sugestivo de CMV congênito sintomático. As calcificações periventriculares são um achado patognomônico, e a coriorretinite e a perda auditiva são sequelas comuns e graves. O diagnóstico definitivo da infecção congênita por CMV é crucial para o manejo adequado e deve ser realizado pela detecção do vírus (por PCR ou cultura) na urina ou saliva do recém-nascido nas primeiras duas semanas de vida. A detecção após esse período pode indicar infecção perinatal ou pós-natal, que geralmente tem um prognóstico mais benigno. A transmissão vertical do CMV ocorre predominantemente in utero, embora possa haver transmissão durante o parto ou via amamentação. O tratamento da infecção congênita por CMV sintomática, especialmente com acometimento do sistema nervoso central, é feito com antivirais como o ganciclovir ou valganciclovir. A duração do tratamento pode variar, mas em casos de envolvimento do SNC, a terapia prolongada (geralmente por 6 meses) é recomendada para tentar minimizar as sequelas neurológicas e auditivas. A decisão de tratar não depende da carga viral, mas sim da presença de sintomas e acometimento de órgãos.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais clínicos clássicos da infecção congênita por Citomegalovírus (CMV)?

Os sinais clássicos incluem microcefalia, calcificações intracranianas (especialmente periventriculares), coriorretinite, perda auditiva sensorioneural, hepatoesplenomegalia e petéquias.

Como é feito o diagnóstico definitivo de infecção congênita por CMV?

O diagnóstico definitivo é estabelecido pela detecção do DNA viral (PCR) ou cultura do vírus na urina ou saliva do recém-nascido coletada nas primeiras duas semanas de vida.

Qual a importância do momento da detecção do CMV para o diagnóstico de infecção congênita?

A detecção do vírus nas primeiras duas semanas de vida é crucial para diferenciar a infecção congênita (adquirida intraútero) da infecção perinatal ou pós-natal, que geralmente têm prognósticos diferentes.

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