USP/Ribeirão Preto - Exame Revalida — Prova 2019
Mãe jovem, 17 anos, chega preocupada à unidade de saúde com o seu RN com 10 dias de idade e informando que ele está com cor esbranquiçada nos lábios e amarelada na pele, além de chorar muito e não querer mamar há 3 dias. Urina de cor escura. Refere que não fez pré-natal, a criança nasceu por parto vaginal em casa, chorou logo e depois foi levada ao hospital, permaneceu por 1 dia tendo alta com orientações. Ao exame físico, nota-se que a criança se encontra em REG, irritada espontaneamente com exacerbação ao toque, pálida, ictérica, taquipneica, com saliva espessa, presença de petéquias disseminadas na pele e edema pré-tibial de leve intensidade. Abdome distendido, fígado palpável a 4 cm do apêndice xifoide e a 5 cm da RCD. Baço endurecido, palpável a 3 cm do RCE. Sem outros achados.Assinale a alternativa que contenha a afirmação CORRETA sobre o diagnóstico mais provável desse RN.
RN com icterícia, petéquias, hepatoesplenomegalia, taquipneia, sem pré-natal → Infecção congênita/perinatal grave.
O quadro clínico de um recém-nascido com 10 dias de vida, apresentando icterícia, palidez, petéquias disseminadas, hepatosplenomegalia, taquipneia e irritabilidade, especialmente com histórico de mãe sem pré-natal e parto domiciliar, é altamente sugestivo de uma infecção congênita ou perinatal grave. A urina escura pode indicar colúria devido à icterícia colestática, comum em infecções congênitas.
O quadro clínico de um recém-nascido com 10 dias de vida, apresentando icterícia, palidez, petéquias disseminadas, hepatoesplenomegalia, taquipneia e irritabilidade, é um sinal de alerta para uma doença sistêmica grave. A história de mãe jovem, sem pré-natal e parto domiciliar, reforça a suspeita de uma infecção congênita ou perinatal. As infecções congênitas, como as do grupo TORCH (Toxoplasmose, Outros – Sífilis, Varicela, HIV, Zika –, Rubéola, Citomegalovírus, Herpes), podem causar uma ampla gama de manifestações, incluindo icterícia colestática (levando à colúria), hepatoesplenomegalia, anemia (causando palidez e taquipneia por ICC), trombocitopenia (resultando em petéquias) e acometimento neurológico (irritabilidade). O diagnóstico diferencial deve incluir sepse neonatal precoce ou tardia, doenças hemolíticas graves e outras condições metabólicas ou genéticas. No entanto, a combinação de múltiplos sistemas afetados (hematológico, hepático, respiratório, cutâneo) e o histórico materno desfavorável tornam a infecção o diagnóstico mais provável. A taquipneia e o edema pré-tibial, embora possam sugerir insuficiência cardíaca, são frequentemente secundários à anemia grave e à resposta inflamatória sistêmica da infecção. O manejo inicial envolve estabilização do paciente, coleta de exames para investigação etiológica (hemograma completo, bilirrubinas, função hepática, sorologias para TORCH, culturas, PCR para agentes virais) e início de antibioticoterapia empírica de amplo espectro, cobrindo os patógenos mais comuns da sepse neonatal. O tratamento específico será direcionado após a identificação do agente etiológico. A prevenção através de um pré-natal adequado é fundamental para evitar essas condições graves.
Os principais agentes são os do grupo TORCH (Toxoplasmose, Outros - Sífilis, Varicela, HIV, Zika -, Rubéola, Citomegalovírus, Herpes), além de outras infecções perinatais como sepse bacteriana ou viral adquirida durante o parto.
A icterícia pode ser devido à hemólise (comum em algumas infecções) ou à colestase intra-hepática causada pela infecção. A urina escura (colúria) é um sinal de icterícia colestática, onde há excreção de bilirrubina conjugada na urina, indicando disfunção hepática.
A ausência de pré-natal aumenta significativamente o risco de infecções congênitas não diagnosticadas e não tratadas na mãe, permitindo a transmissão vertical para o feto. Além disso, o parto domiciliar sem assistência adequada eleva o risco de infecções perinatais.
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