Infecção Congênita: Perda Auditiva e CMV Neonatal

USP/Ribeirão Preto - Exame Revalida — Prova 2019

Enunciado

Segundo filho de mãe dentista, a termo, 3500 g, nasce em boas condições e evolui bem. Mãe soropositiva para CMV em gestação anterior. No segundo dia de vida falhou no teste da orelhinha, tendo sido confirmada perda auditiva bilateral. O pediatra decidiu-se por investigar a possibilidade de a criança ter sofrido uma infecção congênita.Qual é a sua opinião sobre essa decisão?

Alternativas

  1. A) A atitude não é baseada em evidências científicas, pois a surdez sem outros achados é de causa genética em nossa população.
  2. B) Considerando-se a apresentação clínica, a possibilidade de se tratar de toxoplasmose congênita é menor.
  3. C) Não é indicado investigar infecção congênita em crianças que não apresentem as manifestações clássicas como malformações, microcefalia, hepatoesplenomegalia e outros.
  4. D) Apesar da infeção por CMV poder causar surdez, não será necessário investigar CMV congênito por a mãe já ser soropositiva em gestação anterior.

Pérola Clínica

Perda auditiva congênita isolada → CMV congênito é principal suspeita, toxoplasmose é menos provável sem outros achados.

Resumo-Chave

A perda auditiva neurossensorial bilateral é a manifestação mais comum e tardia do CMV congênito. A toxoplasmose congênita geralmente apresenta uma tríade clássica (coriorretinite, hidrocefalia, calcificações intracranianas), sendo a perda auditiva isolada menos típica.

Contexto Educacional

A investigação de infecções congênitas em recém-nascidos é crucial, especialmente diante de achados como a falha no teste da orelhinha e a confirmação de perda auditiva bilateral. Embora a mãe tenha sido soropositiva para Citomegalovírus (CMV) em gestação anterior, isso não exclui a possibilidade de infecção congênita no neonato atual, pois pode ocorrer reativação viral ou infecção por uma nova cepa. O CMV congênito é a causa infecciosa mais comum de perda auditiva neurossensorial não genética em crianças, e a surdez pode ser a única manifestação, inclusive de início tardio. A decisão de investigar uma infecção congênita é baseada em evidências científicas, pois a perda auditiva, mesmo isolada, pode ser um sinal de infecção. Embora a surdez possa ter causas genéticas, a exclusão de etiologias infecciosas é fundamental para o manejo adequado. No caso da toxoplasmose congênita, a apresentação clínica clássica envolve a tríade de Sabin (coriorretinite, hidrocefalia e calcificações intracranianas), além de outras manifestações sistêmicas. A perda auditiva isolada, sem outros achados, torna a toxoplasmose menos provável como causa primária. Portanto, a investigação de infecção congênita é indicada mesmo na ausência de manifestações clássicas como malformações ou hepatoesplenomegalia, especialmente quando há perda auditiva. O diagnóstico precoce do CMV congênito, por exemplo, é importante para considerar terapias antivirais que podem mitigar a progressão da perda auditiva e outras sequelas neurológicas.

Perguntas Frequentes

Qual a principal causa infecciosa de perda auditiva neurossensorial congênita?

O citomegalovírus (CMV) congênito é a principal causa infecciosa de perda auditiva neurossensorial congênita, podendo ser a única manifestação da infecção, inclusive de forma tardia.

Quais são as manifestações clássicas da toxoplasmose congênita?

A toxoplasmose congênita é classicamente associada à tríade de Sabin: coriorretinite, hidrocefalia e calcificações intracranianas. Outras manifestações incluem hepatoesplenomegalia e icterícia.

Por que investigar CMV congênito mesmo se a mãe já era soropositiva?

Mesmo que a mãe seja soropositiva, pode ocorrer reativação do vírus ou infecção por uma nova cepa durante a gestação atual, transmitindo o CMV ao feto. A soropositividade prévia não garante imunidade protetora completa contra a transmissão congênita.

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