SUS-BA - Sistema Único de Saúde da Bahia — Prova 2023
Lactente, sexo feminino, no 25º dia de vida, residente em zona rural, é levada à UBS para sua primeira consulta. Nasceu de parto domiciliar e a genitora, multípara, não fez pré-natal regular, tendo registro de apenas uma consulta no segundo mês de gestação. A bebê nasceu a termo, pesando 2.150g, medindo 48cm. Apresentou icterícia no primeiro dia de vida. A genitora relata que percebe que há um círculo esbranquiçado no olho esquerdo. É alimentada exclusivamente com leite materno. Ao exame, ativa, bom estado geral, apresenta microcefalia e opacificação na zona pupilar do olho esquerdo. Sem outros achados anormais.Indique um critério laboratorial para o diagnóstico da doença na criança.
Microcefalia + opacificação ocular + icterícia neonatal → suspeitar infecção congênita (TORCH).
O quadro clínico de microcefalia, opacificação pupilar (sugestivo de catarata ou corioretinite) e icterícia neonatal em um lactente com histórico materno de pré-natal irregular e parto domiciliar é altamente sugestivo de uma infecção congênita (Síndrome TORCH), como rubéola, toxoplasmose ou citomegalovírus.
As infecções congênitas, frequentemente agrupadas sob a sigla TORCH (Toxoplasmose, Outros, Rubéola, Citomegalovírus, Herpes), representam um grupo de patologias que podem ser transmitidas da mãe para o feto durante a gestação ou no parto. A incidência varia conforme o agente e a região geográfica, mas as consequências podem ser devastadoras, incluindo malformações congênitas, retardo do desenvolvimento neuropsicomotor e sequelas sensoriais. O diagnóstico precoce é crucial para o manejo e para tentar minimizar as sequelas. A suspeita clínica surge em neonatos com achados como microcefalia, baixo peso ao nascer, icterícia, hepatoesplenomegalia, petéquias, e alterações oftalmológicas (catarata, corioretinite). O histórico materno de pré-natal inadequado ou ausente, bem como a exposição a fatores de risco, reforça a necessidade de investigação. Os critérios laboratoriais para o diagnóstico incluem a detecção de anticorpos IgM específicos no sangue do neonato (indicando infecção aguda), ou a persistência de IgG após os 12-18 meses de vida. Testes moleculares como PCR para detecção do DNA/RNA do patógeno em amostras como urina, líquor ou sangue também são ferramentas diagnósticas importantes. O tratamento, quando disponível, visa controlar a infecção e suas complicações, sendo essencial o acompanhamento multidisciplinar.
A Síndrome TORCH inclui Toxoplasmose, Outros (sífilis, Zika, HIV, etc.), Rubéola, Citomegalovírus e Herpes simplex, que são infecções que podem ser transmitidas verticalmente e causar malformações congênitas.
A investigação laboratorial inclui pesquisa de IgM e IgG específicos para Toxoplasma, Rubéola, CMV, Sífilis e HIV na criança e na mãe, além de PCR para detecção do DNA/RNA viral em amostras biológicas do neonato (urina, líquor, sangue).
As manifestações oculares variam: toxoplasmose causa corioretinite, rubéola causa catarata e glaucoma, e CMV pode causar corioretinite e atrofia óptica. A opacificação pupilar pode indicar catarata ou lesão retiniana.
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