PUC Sorocaba - Pontifícia Universidade Católica de Sorocaba (SP) — Prova 2020
Quatorze dias após a admissão no hospital, por uma queimadura de segundo grau, com 30% de área queimada e instabilidade hemodinâmica que necessitou acesso venoso central, um paciente desenvolveu picos febris. No exame físico, o local de inserção do cateter venoso central estava vermelho, sensível e quente. O melhor tratamento para essa complicação é
Infecção de cateter venoso central com sinais locais e sistêmicos → remover cateter, cultura, novo acesso contralateral, ATB.
A suspeita de infecção de cateter venoso central em paciente com queimaduras graves e instabilidade hemodinâmica exige uma abordagem agressiva. A remoção do cateter é crucial para eliminar o foco infeccioso, seguida de cultura para guiar a antibioticoterapia empírica e a colocação de um novo acesso em local diferente para evitar a reintrodução da infecção.
A infecção relacionada a cateter venoso central (IRCVC) é uma complicação grave e comum em pacientes hospitalizados, especialmente aqueles com queimaduras extensas, que já possuem um risco elevado de infecção devido à barreira cutânea comprometida e imunossupressão. A incidência de IRCVC aumenta com o tempo de permanência do cateter e a gravidade da doença subjacente. É uma das principais causas de sepse hospitalar, aumentando a morbidade, mortalidade e custos de internação. O diagnóstico de IRCVC é baseado em sinais clínicos de infecção sistêmica (febre, calafrios) e/ou local (eritema, dor, calor, secreção purulenta no sítio de inserção), associado a hemoculturas positivas e/ou cultura da ponta do cateter. Em pacientes com queimaduras, a distinção entre infecção de cateter e outras fontes de sepse pode ser desafiadora, exigindo uma avaliação cuidadosa. A presença de sinais inflamatórios no local do cateter, como descrito na questão, é um forte indicativo. O tratamento da IRCVC geralmente envolve a remoção do cateter infectado, coleta de culturas para identificação do patógeno e teste de sensibilidade, e início imediato de antibioticoterapia empíria de amplo espectro, ajustada posteriormente conforme os resultados das culturas. A colocação de um novo cateter deve ser realizada em um sítio anatômico diferente para evitar a colonização do novo dispositivo pelo mesmo foco infeccioso. A troca por fio-guia não é recomendada em casos de infecção evidente, pois mantém o foco infeccioso.
Os sinais incluem febre, calafrios, eritema, dor ou calor no local de inserção do cateter, e, em casos graves, instabilidade hemodinâmica.
A conduta inicial envolve a remoção do cateter, coleta de culturas (incluindo a ponta do cateter), e início de antibioticoterapia empírica, com um novo acesso em outro sítio.
A remoção é crucial porque o cateter pode atuar como um corpo estranho e um foco persistente de infecção, formando biofilmes que protegem as bactérias dos antibióticos.
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