Santa Casa de São José dos Campos (SP) — Prova 2022
Menina com 18 meses de vida apresentou há 5 dias quadro de febre diária (38,5°C), tosse, obstrução nasal e coriza. Procurou atendimento há 4 dias, foi diagnosticada como síndrome gripal por influenza e recebeu orientação para iniciar fosfato de oseltamivir. Retorna hoje em uso da medicação prescrita, porém mantendo quadro febril, com piora do estado geral e baixa aceitação alimentar há 2 dias. A mãe da criança notou coriza purulenta, principalmente na narina do lado direito. Além de investigação para o quadro, qual conduta deve ser considerada para essa criança?
Piora clínica e febre persistente após início de Oseltamivir para influenza, com coriza purulenta → Suspeitar e tratar co-infecção bacteriana.
A piora do estado geral, febre persistente e surgimento de coriza purulenta em uma criança com síndrome gripal tratada com oseltamivir sugerem uma co-infecção bacteriana, como otite média aguda, sinusite bacteriana ou pneumonia. Nesses casos, a conduta é iniciar antibioticoterapia empírica, cobrindo os patógenos bacterianos mais comuns.
A influenza é uma infecção viral respiratória comum que, embora geralmente autolimitada, pode levar a complicações graves, especialmente em crianças pequenas. Uma das complicações mais importantes é a co-infecção bacteriana secundária, que pode ser responsável por significativa morbidade e mortalidade. A epidemiologia mostra que a influenza predispõe a infecções bacterianas, sendo o Streptococcus pneumoniae e o Staphylococcus aureus os patógenos mais comuns. A fisiopatologia da co-infecção bacteriana envolve o dano viral ao epitélio respiratório, que compromete as defesas do hospedeiro, como a depuração mucociliar e a função dos macrófagos alveolares. Isso facilita a adesão e proliferação de bactérias. Clinicamente, a suspeita de co-infecção bacteriana deve surgir quando há uma piora do estado geral da criança, febre persistente ou recorrente após uma melhora inicial, ou o surgimento de novos sintomas como coriza purulenta, otalgia, taquipneia ou desconforto respiratório, mesmo após o início do tratamento antiviral com oseltamivir. A conduta, além da investigação diagnóstica (ex: radiografia de tórax para pneumonia, otoscopia para otite), é iniciar o tratamento empírico com antibióticos que cubram os patógenos bacterianos mais prováveis. A escolha do antibiótico dependerá da suspeita clínica e do perfil de resistência local. Amoxicilina ou amoxicilina-clavulanato são frequentemente utilizadas para cobrir otite, sinusite ou pneumonia leve. Em casos de pneumonia grave ou suspeita de S. aureus resistente, pode ser necessário considerar outros antibióticos. O prognóstico melhora significativamente com o reconhecimento e tratamento precoces da co-infecção.
Sinais de alerta incluem febre persistente ou recorrente após melhora inicial, piora do estado geral, taquipneia, desconforto respiratório, dor localizada (ex: otalgia, dor sinusal) e secreções purulentas.
A infecção viral por influenza danifica o epitélio respiratório, prejudica a depuração mucociliar e altera a função imune, facilitando a adesão e proliferação de bactérias como Streptococcus pneumoniae e Staphylococcus aureus.
O tratamento empírico depende da suspeita clínica (ex: otite, sinusite, pneumonia). Amoxicilina ou amoxicilina-clavulanato são frequentemente usadas para cobrir patógenos respiratórios comuns. Em casos mais graves, pode ser necessário considerar cobertura para S. aureus resistente.
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