Estratificação de Risco no IAMSSST: Quando indicar CATE?

UFES/HUCAM - Hospital Universitário Cassiano Antônio Moraes - Vitória (ES) — Prova 2025

Enunciado

Paciente de 67 anos, feminina, deu entrada em um serviço de emergência com dor torácica prolongada, hemodinamicamente estável, referindo três episódios nas últimas 12 horas. Pressão arterial de 100x60 mmHg e frequência cardíaca de 95 bpm. Referia antecedentes de hipertensão, tabagismo e diabetes. O eletrocardiograma de entrada mostrava infradesnivelamento do segmento ST de 2 mm. Iniciada nitroglicerina endovenosa com melhora completa da dor. O resultado do exame de troponina foi positivo e a paciente apresentava creatinina de 1,7 mg/dL. Diante desse quadro, qual o risco isquêmico e em quanto tempo idealmente ela deve ser submetida à cineangiocoronariografia?

Alternativas

  1. A) Risco muito alto, < 2 horas.
  2. B) Risco alto, < 24 horas.
  3. C) Risco intermediário, entre 25 a 72 horas.
  4. D) Risco Baixo. Realizar teste não invasivo antes de indicar a cineangiocoronariografia.

Pérola Clínica

NSTEMI + Troponina (+) ou Alteração de ST ou GRACE > 140 → Risco Alto → CATE < 24h.

Resumo-Chave

Pacientes com IAMSSST e marcadores de necrose positivos ou alterações dinâmicas no ECG são classificados como alto risco, exigindo estratificação invasiva em até 24 horas.

Contexto Educacional

A estratificação de risco na Síndrome Coronariana Aguda sem Supradesnivelamento do Segmento ST (SCASSST) é fundamental para determinar a urgência da intervenção. O objetivo é equilibrar o benefício da revascularização precoce com os riscos do procedimento. As diretrizes da SBC e ESC dividem os pacientes em quatro categorias: Muito Alto Risco (CATE imediato < 2h), Alto Risco (CATE precoce < 24h), Risco Intermediário (CATE em até 72h) e Baixo Risco (estratificação não invasiva). O caso apresentado descreve uma paciente estável, mas com troponina positiva e infradesnivelamento de ST, o que a enquadra perfeitamente no grupo de Alto Risco, necessitando de intervenção em 24 horas.

Perguntas Frequentes

Quais critérios definem o 'Risco Alto' no IAMSSST?

O risco alto é definido pela presença de pelo menos um critério de gravidade, como: diagnóstico confirmado de IAMSSST (troponina positiva), alterações dinâmicas do segmento ST ou onda T (sintomáticas ou silenciosas), ou um escore GRACE superior a 140. Para esses pacientes, a estratégia invasiva (cineangiocoronariografia) deve ser realizada idealmente dentro de 24 horas após a admissão.

Quando um paciente é considerado de 'Risco Muito Alto'?

O risco muito alto exige intervenção imediata (CATE < 2 horas) e inclui pacientes com instabilidade hemodinâmica ou choque cardiogênico, dor torácica recorrente ou persistente refratária ao tratamento médico, arritmias ventriculares fatais, complicações mecânicas do infarto, insuficiência cardíaca aguda relacionada ao IAM ou depressão recorrente do segmento ST > 1 mm em 6 derivações associada a supra em aVR/V1.

Como a creatinina elevada influencia a conduta no IAMSSST?

A creatinina elevada (como 1,7 mg/dL no caso) é um marcador de maior risco cardiovascular e renal, sendo componente do escore GRACE. Embora aumente o risco de nefropatia induzida por contraste, não contraindica o CATE em pacientes de alto risco. Medidas de nefroproteção, como hidratação venosa criteriosa e uso de menor volume de contraste, devem ser implementadas, mas a estratificação invasiva permanece indicada pelo benefício isquêmico.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo