Infarto Mesentérico: Diagnóstico e Sinais de Alerta

SES-DF - Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal — Prova 2024

Enunciado

Uma paciente de 60 anos de idade procurou o pronto-socorro com dor abdominal intensa de início súbito, predominantemente no quadrante superior esquerdo. Ela relata náuseas, vômitos e ausência de evacuações. Ao exame físico, revela sensibilidade à palpação abdominal e sinais de peritonite localizada. Na admissão, os sinais vitais apresentavam PA = 90 mmHg x 60 mmHg, FC = 120 bpm, FR = 28 irpm e temperatura = 37,8 °C. Ela realizou exames complementares que demonstraram: leucograma com leucocitose significativa, amilase sérica dentro da faixa de normalidade e lactato sérico elevado. Nesse caso clínico, o diagnóstico mais provável é

Alternativas

  1. A) infarto mesentérico.
  2. B) diverticulite perfurada.
  3. C) apendicite aguda.
  4. D) pancreatite aguda grave.

Pérola Clínica

Dor abdominal súbita + choque + lactato ↑ + amilase normal + peritonite = Infarto Mesentérico.

Resumo-Chave

A isquemia mesentérica aguda é uma condição grave que se manifesta com dor abdominal desproporcional aos achados do exame físico, especialmente em idosos com fatores de risco cardiovasculares. A presença de choque, lactato elevado e amilase sérica normal, juntamente com sinais de peritonite, sugere fortemente necrose intestinal por infarto mesentérico.

Contexto Educacional

O infarto mesentérico agudo é uma condição grave e potencialmente fatal, caracterizada pela interrupção súbita do fluxo sanguíneo para o intestino, levando à isquemia e necrose. É mais comum em idosos com comorbidades cardiovasculares, como fibrilação atrial, que predispõem à formação de êmbolos. A apresentação clássica é dor abdominal intensa e súbita, desproporcional aos achados do exame físico, que pode evoluir para sinais de peritonite e choque. O reconhecimento precoce é crucial para a sobrevida do paciente. A fisiopatologia envolve a oclusão arterial (embolia ou trombose) ou venosa, ou isquemia não oclusiva. O diagnóstico é desafiador devido à inespecificidade dos sintomas iniciais. No entanto, a presença de dor abdominal intensa, sinais de choque (hipotensão, taquicardia), leucocitose e, crucialmente, lactato sérico elevado, com amilase sérica normal, deve levantar forte suspeita. O lactato reflete a hipóxia tecidual e o metabolismo anaeróbico. A angiotomografia computadorizada de abdome é o exame de imagem de escolha para confirmar o diagnóstico e identificar a causa. O tratamento do infarto mesentérico é uma emergência cirúrgica, visando a revascularização do intestino e a ressecção de segmentos necróticos. Medidas de suporte hemodinâmico são essenciais. O prognóstico é reservado, com alta mortalidade, especialmente se o diagnóstico e a intervenção forem tardios. A prevenção envolve o controle de fatores de risco cardiovasculares e a anticoagulação em pacientes de alto risco, como aqueles com fibrilação atrial.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais fatores de risco para o infarto mesentérico?

Os principais fatores de risco incluem fibrilação atrial, doença cardíaca isquêmica, insuficiência cardíaca congestiva, doença vascular periférica, valvulopatias, estados de hipercoagulabilidade e idade avançada. Essas condições predispõem à formação de êmbolos ou trombose que ocluem os vasos mesentéricos.

Por que o lactato sérico é um marcador importante no infarto mesentérico, e a amilase pode ser normal?

O lactato sérico elevado é um indicador de isquemia tecidual e metabolismo anaeróbico, sendo um marcador precoce e sensível de sofrimento intestinal. A amilase sérica pode ser normal no infarto mesentérico, diferenciando-o da pancreatite aguda, onde a amilase estaria tipicamente elevada.

Qual o papel da imagem no diagnóstico do infarto mesentérico agudo?

A angiotomografia computadorizada (angio-TC) de abdome com contraste é o exame de imagem de escolha. Ela permite visualizar a oclusão dos vasos mesentéricos, sinais de isquemia intestinal (espessamento da parede, pneumatose) e descartar outras causas de dor abdominal aguda. A angiografia mesentérica pode ser diagnóstica e terapêutica.

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