Infarto Mesentérico Agudo: Diagnóstico e Conduta

Hospital Alemão Oswaldo Cruz (SP) — Prova 2025

Enunciado

m homem de 70 anos, com histórico de insuficiência cardíaca e doença arterial coronariana apresenta dor abdominal intensa e súbita, associada a náuseas e vômitos. Ao exame, o abdômen está doloroso difusamente, sem sinais de defesa. Exames laboratoriais mostram acidose metabólica e aumento dos níveis de lactato. Qual é a principal hipótese diagnóstica e a conduta inicial adequada?

Alternativas

  1. A) Pancreatite aguda; iniciar reposição volêmica e analgesia.
  2. B) Apendicite aguda; preparar para cirurgia de apendicectomia.
  3. C) Infarto mesentérico e considerar intervenção cirúrgica.
  4. D) Colecistite aguda; iniciar antibioticoterapia e preparo para cirurgia.
  5. E) Úlcera gástrica perfurada; iniciar antibioticoterapia e analgesia.

Pérola Clínica

Idoso com IC/DAC, dor abdominal súbita desproporcional ao exame, acidose, lactato ↑ → Infarto mesentérico, considerar cirurgia.

Resumo-Chave

O infarto mesentérico agudo deve ser fortemente suspeitado em idosos com comorbidades cardiovasculares (IC, DAC) que apresentam dor abdominal intensa e súbita, desproporcional aos achados do exame físico, e sinais de choque ou acidose metabólica com lactato elevado. A isquemia intestinal é uma emergência cirúrgica.

Contexto Educacional

O infarto mesentérico agudo é uma emergência abdominal grave com alta mortalidade, especialmente em idosos e pacientes com comorbidades cardiovasculares. É um tema desafiador e frequentemente abordado em provas de residência devido à sua apresentação clínica insidiosa e à necessidade de diagnóstico e intervenção rápidos. A isquemia mesentérica pode ser oclusiva (embólica ou trombótica) ou não oclusiva. A apresentação clássica é dor abdominal intensa e súbita, muitas vezes desproporcional aos achados do exame físico inicial, que pode não revelar sinais de irritação peritoneal. No entanto, a progressão da isquemia leva a necrose intestinal, translocação bacteriana e sepse, manifestando-se com acidose metabólica, elevação do lactato e sinais de choque. A suspeita clínica é fundamental, especialmente em pacientes com fibrilação atrial, insuficiência cardíaca ou doença aterosclerótica. A conduta inicial envolve estabilização hemodinâmica, analgesia e, crucialmente, a investigação diagnóstica rápida com angiotomografia abdominal. O tratamento definitivo frequentemente requer intervenção cirúrgica para ressecção do segmento intestinal necrótico e, em alguns casos, revascularização mesentérica. O atraso no diagnóstico e tratamento é o principal fator de pior prognóstico.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais fatores de risco para infarto mesentérico agudo?

Os principais fatores de risco incluem idade avançada, fibrilação atrial, insuficiência cardíaca, doença arterial coronariana, doença vascular periférica, hipotensão, uso de vasopressores e estados de hipercoagulabilidade.

Por que a dor abdominal no infarto mesentérico é desproporcional ao exame físico?

A dor é causada pela isquemia intestinal e é visceral, muitas vezes intensa e difusa, mas os sinais de irritação peritoneal (defesa, descompressão dolorosa) podem estar ausentes nas fases iniciais, pois a necrose ainda não atingiu a serosa.

Qual a importância do lactato elevado na suspeita de infarto mesentérico?

O lactato elevado é um marcador de isquemia tecidual e acidose metabólica, sendo um achado laboratorial crucial que sugere hipoperfusão e necrose intestinal, especialmente em pacientes com dor abdominal súbita e fatores de risco.

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