AVC Lacunar: Diagnóstico e Localização Típica

UFPA/HUJBB - Hospital Universitário João de Barros Barreto - Belém (PA) — Prova 2020

Enunciado

Paciente 50 anos sexo feminino, com hipertensão mal controlada, trazida ao serviço de urgência devido à instalação nas últimas duas horas de déficit motor proporcionado à esquerda apenas. A paciente encontra-se consciente e orientada, não há heminegligência, afasia, evidência de síndrome alterna, alteração de sensibilidade ou outros achados. À sua chegada ao hospital, realiza-se tomografia computadorizada de crânio que não demonstra anormalidades. Considerando-se a doença representada pelo quadro clínico em questão, o vaso e a estrutura encefálica acometida são, respectivamente,

Alternativas

  1. A)  artéria cerebral anterior e córtex frontal direito.
  2. B)  artéria lenticuloestriada e cápsula interna direita.
  3. C)  artéria cerebral anterior e cápsula interna direita.
  4. D)  artéria lenticuloestriada e córtex frontal direito.
  5. E)  artéria basilar e mesencéfalo.

Pérola Clínica

Déficit motor puro proporcionado + TC normal inicial + hipertensão = AVC lacunar em cápsula interna (artéria lenticuloestriada).

Resumo-Chave

O infarto lacunar, frequentemente associado à hipertensão crônica, resulta da oclusão de pequenas artérias perfurantes. A cápsula interna é uma localização comum para infartos lacunares que causam déficit motor puro, e a TC pode ser normal nas primeiras horas.

Contexto Educacional

O Acidente Vascular Cerebral (AVC) isquêmico lacunar é uma forma comum de AVC, representando cerca de 25% de todos os AVCs isquêmicos. Ele resulta da oclusão de pequenas artérias perfurantes que irrigam estruturas profundas do encéfalo, como os núcleos da base, cápsula interna, tálamo e tronco cerebral. A hipertensão arterial sistêmica mal controlada é o principal fator de risco para o desenvolvimento de infartos lacunares, levando a alterações na parede dos vasos (lipo-hialinose e microateromas). O diagnóstico clínico do AVC lacunar é baseado em síndromes neurológicas específicas, como a hemiparesia motora pura (déficit motor proporcionado sem alterações sensitivas ou corticais), que aponta para lesões na cápsula interna ou ponte. A tomografia computadorizada de crânio pode ser normal nas primeiras horas do evento, o que não exclui o diagnóstico, sendo a ressonância magnética mais sensível para detectar essas lesões precocemente. A ausência de sinais corticais (afasia, heminegligência) e de tronco cerebral é crucial para diferenciar o AVC lacunar de outros tipos de AVC. O tratamento agudo segue os princípios gerais do AVC isquêmico, incluindo trombólise se indicado e dentro da janela terapêutica, e manejo dos fatores de risco. A prevenção secundária é fundamental e envolve o controle rigoroso da hipertensão, diabetes, dislipidemia e o uso de antiagregantes plaquetários. O prognóstico dos infartos lacunares geralmente é melhor do que o de outros subtipos de AVC, mas podem ocorrer recorrências e acúmulo de déficits.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais clínicos de um infarto lacunar?

Os infartos lacunares podem apresentar síndromes clínicas específicas, como déficit motor puro, déficit sensitivo puro, hemiparesia atáxica ou disartria-mão desajeitada, sem sinais corticais.

Por que a tomografia de crânio pode ser normal em um AVC agudo?

A tomografia computadorizada pode não mostrar alterações isquêmicas nas primeiras 6-12 horas de um AVC, especialmente em infartos pequenos como os lacunares, devido à ausência de edema ou hipodensidade significativa.

Qual a relação entre hipertensão e AVC lacunar?

A hipertensão arterial crônica é o principal fator de risco para infartos lacunares, causando lipo-hialinose e microateromas nas pequenas artérias perfurantes do encéfalo.

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