IAM de Ventrículo Direito: Cuidado com Nitratos e Diuréticos

HSL/Sírio - Hospital Sírio-Libanês (SP) — Prova 2023

Enunciado

Homem de 64 anos, diabético, em uso de daglifozina, procura atendimento de urgência por dor precordial intensa há 1 hora; está hemodinamicamente estável, com ausculta cardíaca e pulmonar normais, sem outros achados significativos. O ECG e o ecocardiograma mostram alterações típicas de infarto agudo do miocárdio de ventrículo direito, com elevação do segmento ST. Nas primeiras 24-48 horas deve ser empregado com cautela, ou mesmo evitado, o uso de 

Alternativas

  1. A) ácido acetilsalicílico.
  2. B) nitratos.
  3. C) inibidor de P2Y12. 
  4. D) heparina de baixo peso molecular. 
  5. E) betabloqueadores.

Pérola Clínica

IAMVD → Evitar nitratos e diuréticos devido à dependência de pré-carga e risco de hipotensão grave.

Resumo-Chave

O infarto agudo do miocárdio de ventrículo direito (IAMVD) é caracterizado por dependência de pré-carga para manter o débito cardíaco. Nitratos e diuréticos reduzem a pré-carga, podendo precipitar hipotensão grave e choque cardiogênico. Portanto, seu uso deve ser evitado ou feito com extrema cautela.

Contexto Educacional

O Infarto Agudo do Miocárdio de Ventrículo Direito (IAMVD) é uma condição grave que ocorre em cerca de 30-50% dos infartos de parede inferior. É crucial para residentes e estudantes de medicina entenderem sua fisiopatologia e manejo distinto, pois a abordagem terapêutica difere significativamente do IAM de ventrículo esquerdo, sendo um ponto frequente em provas de residência e na prática clínica. A identificação precoce e o manejo adequado são essenciais para evitar complicações graves como o choque cardiogênico. A fisiopatologia do IAMVD envolve a isquemia do ventrículo direito, que leva à disfunção contrátil e à incapacidade de bombear sangue para a circulação pulmonar. O ventrículo direito é altamente dependente da pré-carga para manter o débito cardíaco, e qualquer redução da pré-carga pode precipitar hipotensão e choque. O diagnóstico é confirmado por ECG com elevação do segmento ST nas derivações direitas (V3R, V4R) e pode ser complementado por ecocardiograma. O tratamento do IAMVD foca na manutenção da pré-carga e na reperfusão. Nitratos, diuréticos e morfina devem ser usados com extrema cautela ou evitados, pois reduzem a pré-carga e podem piorar a hipotensão. A reposição volêmica com cristaloides é a medida inicial para pacientes hipotensos. A reperfusão coronariana (angioplastia primária ou trombólise) é o tratamento definitivo. O prognóstico é geralmente bom se o manejo for adequado, mas a mortalidade aumenta significativamente em casos de choque cardiogênico.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de um Infarto Agudo do Miocárdio de Ventrículo Direito (IAMVD)?

Os sinais de IAMVD incluem dor precordial, hipotensão, turgência jugular e ausência de congestão pulmonar. O ECG pode mostrar elevação do segmento ST nas derivações direitas (V3R, V4R).

Por que os nitratos são contraindicados no IAMVD?

Os nitratos são contraindicados no IAMVD porque o ventrículo direito infartado é altamente dependente de pré-carga para manter o débito cardíaco. A vasodilatação induzida pelos nitratos reduz a pré-carga, podendo levar a hipotensão grave e choque cardiogênico.

Qual é a conduta inicial para um paciente com IAMVD e hipotensão?

A conduta inicial para um paciente com IAMVD e hipotensão é a reposição volêmica com cristaloides (soro fisiológico) para aumentar a pré-carga. Vasopressores podem ser necessários se a hipotensão persistir após a fluidoterapia.

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