HE Jayme Neves - Hospital Escola Jayme dos Santos Neves (ES) — Prova 2024
Paciente 57 anos, hipertensa, diabética, ex- tabagista, fumou por 30 anos, parou há 2 meses,, procura atendimento médico devido quadro de dor torácica retroesternal que irradia para o membro superior esquerdo, associada a dispneia. Apresentou dois episódios nas últimas 24 horas. Faz uso de Losartan, hidroclorotizida e metformina. Ao exame físico: Lúcida, orientada, Ritmo cardíaco regular, PA 140x80 mmhg, saturação 90% em ar ambiente, ausculta pulmonar com estertores em bases pulmonares. Exames laboratoriais colhidos: creatinina 0,8 mg/dl e troponina positiva.Sobre o quadro clínico acima, assinale a alternativa correta:
SCA sem supra ST + troponina positiva = IAM sem supra. Estratificação de risco e terapia anti-isquêmica agressiva.
O paciente apresenta dor torácica isquêmica, fatores de risco cardiovascular e troponina positiva, configurando um Infarto Agudo do Miocárdio sem Supradesnivelamento do Segmento ST (IAM sem supra ST). A conduta envolve terapia anti-isquêmica (AAS, enoxaparina, estatina), oxigênio para hipoxemia e estratificação invasiva precoce, com decisão sobre o segundo antiagregante após a angiografia.
O Infarto Agudo do Miocárdio sem Supradesnivelamento do Segmento ST (IAM sem supra ST) é uma das apresentações da Síndrome Coronariana Aguda (SCA), caracterizada por isquemia miocárdica aguda com necrose celular, mas sem a elevação persistente do segmento ST no eletrocardiograma. É uma condição comum e grave, com alta morbimortalidade se não for adequadamente diagnosticada e tratada, sendo um desafio frequente para residentes. A fisiopatologia envolve geralmente a ruptura de uma placa aterosclerótica com formação de trombo não oclusivo, levando à redução do fluxo sanguíneo coronariano. O diagnóstico baseia-se na tríade de dor torácica isquêmica, alterações eletrocardiográficas (infra de ST, inversão de onda T ou ECG normal) e elevação dos biomarcadores de necrose miocárdica, principalmente a troponina. Fatores de risco como hipertensão, diabetes, dislipidemia e tabagismo aumentam a probabilidade. O tratamento inicial visa estabilizar o paciente, aliviar a isquemia e prevenir a progressão do trombo. Inclui antiagregação plaquetária (AAS e um P2Y12 inibidor), anticoagulação (heparina de baixo peso molecular ou não fracionada), beta-bloqueadores, estatinas de alta potência e nitratos. A estratificação de risco é fundamental para decidir o momento da cineangiocoronariografia, que pode ser imediata (em casos de alto risco) ou precoce (nas primeiras 24-72 horas), seguida de revascularização se indicada.
O diagnóstico de IAM sem supra ST requer evidência de isquemia miocárdica (sintomas, alterações eletrocardiográficas) e elevação e/ou queda dos biomarcadores cardíacos (troponina) na ausência de supradesnivelamento persistente do segmento ST no ECG.
A estratificação de risco (usando escores como GRACE ou TIMI) é crucial para guiar a conduta, determinar a necessidade e o tempo da estratificação invasiva (cineangiocoronariografia) e otimizar a terapia farmacológica, visando reduzir eventos adversos.
Os pilares incluem antiagregação plaquetária (AAS e um segundo agente como clopidogrel ou ticagrelor, geralmente após angiografia), anticoagulação (enoxaparina ou heparina não fracionada), beta-bloqueadores, estatinas de alta potência e nitratos para alívio da dor.
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