UFRGS/HCPA - Hospital de Clínicas de Porto Alegre (RS) — Prova 2025
Paciente de 67 anos, com hipertensão arterial, diabetes melito e história de tabagismo, foi trazido à Emergência de um hospital terciário por dor torácica opressiva iniciada há aproximadamente 2 horas, que se irradiava para o braço esquerdo, associada a sudorese e náuseas. Informou que a dor surgira enquanto realizava uma caminhada leve. À admissão, apresentava pressão arterial de 140/90 mmHg, frequência cardíaca de 137 bpm e saturação de oxigênio de 96%. O exame físico não revelou anormalidades significativas. Exames laboratoriais iniciais indicaram níveis ligeiramente elevados de troponina T ultrassensível. O eletrocardiograma em repouso, feito no momento da chegada, está reproduzido abaixo. Considerando o caso clínico, assinale a alternativa que contempla o diagnóstico e o manejo adequado.
IAM sem supra + instabilidade hemodinâmica/elétrica/dor refratária = Muito Alto Risco → Estratificação invasiva imediata (< 2h).
O paciente apresenta dor torácica isquêmica, fatores de risco importantes, troponina elevada e taquicardia, configurando uma Síndrome Coronariana Aguda sem supradesnivelamento do segmento ST (IAM sem supra). A presença de dor refratária (iniciada há 2 horas, ainda presente) e taquicardia (FC 137 bpm) o classifica como de muito alto risco, exigindo estratificação invasiva imediata (cateterismo cardíaco) em menos de 2 horas.
A Síndrome Coronariana Aguda (SCA) é uma das principais causas de mortalidade cardiovascular e representa um desafio diagnóstico e terapêutico na emergência. A rápida identificação e estratificação de risco são cruciais para determinar a melhor conduta e melhorar o prognóstico do paciente. Este cenário é de alta relevância para a prática clínica e para provas de residência, exigindo um conhecimento aprofundado dos algoritmos de manejo. O paciente apresenta fatores de risco clássicos para doença arterial coronariana (hipertensão, diabetes, tabagismo), dor torácica opressiva típica com irradiação, sudorese e náuseas, iniciada há 2 horas. A taquicardia (FC 137 bpm) e a elevação ligeira da troponina T ultrassensível, na ausência de supradesnivelamento do segmento ST no ECG, configuram um Infarto Agudo do Miocárdio sem supradesnivelamento do segmento ST (IAM sem supra). A persistência da dor, apesar do tempo decorrido, e a taquicardia significativa indicam instabilidade, classificando-o como de 'muito alto risco'. Para pacientes com IAM sem supra de 'muito alto risco', a conduta recomendada pelas diretrizes é a estratificação invasiva imediata, ou seja, a realização de angiografia coronariana em menos de 2 horas após o diagnóstico. Esta abordagem permite identificar a artéria culpada e realizar a intervenção coronariana percutânea (ICP) para restaurar o fluxo sanguíneo, prevenindo a progressão da necrose miocárdica e melhorando o prognóstico. A trombólise não é indicada para IAM sem supra, e a estratificação precoce (<24h) é para pacientes de alto risco, não de muito alto risco.
Os critérios de muito alto risco incluem: instabilidade hemodinâmica (choque, hipotensão), arritmias com risco de vida (TV/FV), dor isquêmica refratária ao tratamento, insuficiência cardíaca aguda, alterações dinâmicas do segmento ST/onda T recorrentes, ou elevação de troponina T ultrassensível com suspeita de IAM.
Pacientes com IAM sem supra de muito alto risco necessitam de uma estratégia de estratificação invasiva imediata, o que significa realizar um cateterismo cardíaco (angiografia coronariana) em menos de 2 horas após o diagnóstico para identificar e tratar a lesão culpada, geralmente com intervenção coronariana percutânea (ICP).
Ambas são síndromes coronarianas agudas sem elevação do ST. A principal diferença é a presença de elevação de biomarcadores cardíacos (troponina) no IAM sem supra, indicando necrose miocárdica. Na angina instável, não há elevação de troponina, embora os sintomas sejam semelhantes.
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