IAMSSST: Diagnóstico, ECG e Manejo Inicial para Residentes

PMFI - Prefeitura Municipal de Foz do Iguaçu (PR) — Prova 2022

Enunciado

Sobre o caso clínico: paciente de 64 anos, sexo feminino, diabética, hipertensa, tabagista, obesa, dislipidêmica, vem à emergência trazida por familiares com quadro de intensa dor precordial, irradiando para a mandíbula, iniciada há 3 horas da admissão, de início súbito. ECG realizado mostrava ondas Ts invertidas simétricas e profundas em parede lateral e lateral alta. A dosagem de troponina de alta sensibilidade teve resultado com valor acima do percentil 99 do valor de referência (positiva). Marque a alternativa incorreta:

Alternativas

  1. A) O diagnóstico de infarto agudo do miocárdio está afastado pela ausência de desnivelamentos do seguimento ST no ECG.
  2. B) A abordagem inicial inclui administração de AAS e Clopidogrel.
  3. C) Não está indicada trombólise, por não se tratar de um infarto com supra desnivelamento do segmento ST.
  4. D) A troponina de alta sensibilidade permite afastar o diagnóstico de infarto mais precocemente, quando comparada às dosagens de CK e CKMB, e o seu uso reduz o tempo de permanência no departamento de emergência.

Pérola Clínica

IAMSSST: Troponina positiva + isquemia (ECG/clínica) SEM supra de ST. Antiagregação dupla é essencial.

Resumo-Chave

O diagnóstico de Infarto Agudo do Miocárdio (IAM) não depende exclusivamente do supradesnivelamento do segmento ST no ECG. A presença de marcadores de necrose miocárdica elevados (troponina positiva) em conjunto com evidências de isquemia (dor precordial, alterações de T ou ST) é suficiente para o diagnóstico de IAM sem supradesnivelamento do ST (IAMSSST), mesmo com ECG mostrando apenas ondas T invertidas.

Contexto Educacional

O Infarto Agudo do Miocárdio (IAM) é uma das principais causas de morbimortalidade cardiovascular globalmente, sendo crucial para o residente o domínio de seu diagnóstico e manejo. O IAM é classificado em com e sem supradesnivelamento do segmento ST (IAMCSST e IAMSSST, respectivamente), com abordagens terapêuticas distintas. A rápida identificação e intervenção são determinantes para o prognóstico do paciente. A fisiopatologia do IAM envolve a ruptura de uma placa aterosclerótica, levando à formação de um trombo que oclui parcial ou totalmente uma artéria coronária. A troponina de alta sensibilidade revolucionou o diagnóstico, permitindo a detecção precoce de lesão miocárdica. O ECG, embora fundamental, pode apresentar diversas alterações isquêmicas além do supra de ST, como inversões de onda T, depressão de ST ou ausência de alterações iniciais, exigindo correlação clínica e laboratorial. O tratamento do IAMSSST envolve antiagregação plaquetária dupla (AAS e um inibidor P2Y12 como Clopidogrel), anticoagulação, controle da dor e estratificação de risco para definir a necessidade e o tempo de intervenção coronária percutânea. A trombólise não é indicada no IAMSSST. O objetivo é limitar a extensão do infarto, preservar a função ventricular e prevenir eventos futuros, enfatizando a importância de um manejo rápido e baseado em evidências.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos para IAMSSST?

O diagnóstico de IAMSSST requer a elevação e/ou queda dos valores de troponina cardíaca de alta sensibilidade acima do percentil 99 do limite superior de referência, juntamente com evidências de isquemia miocárdica (sintomas, alterações no ECG, novas ondas Q patológicas ou evidência de perda de miocárdio viável em exames de imagem).

Qual a importância das ondas T invertidas simétricas e profundas no ECG?

Ondas T invertidas simétricas e profundas em derivações precordiais, especialmente V2-V3, podem indicar isquemia miocárdica significativa e são um sinal de alto risco, como na Síndrome de Wellens, que prediz estenose crítica da artéria descendente anterior. Embora não seja um supra de ST, exige atenção e investigação.

Por que a trombólise não é indicada no IAMSSST?

A trombólise é uma terapia de reperfusão específica para o IAM com supradesnivelamento do segmento ST (IAMCSST), onde há oclusão total da artéria coronária. No IAMSSST, a oclusão é geralmente parcial ou intermitente, e a estratégia de reperfusão preferencial é a intervenção coronária percutânea (ICP) precoce, não a trombólise.

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