PMFI - Prefeitura Municipal de Foz do Iguaçu (PR) — Prova 2020
Paciente de 64 anos, sexo feminino, diabética, hipertensa, tabagista, obesa, dislipidêmica, foi admitida na emergência trazida por familiares com quadro de intensa dor precordial, irradiando para a mandíbula, iniciada há 3 horas da admissão, de início súbito. ECG evidenciava ondas Ts invertidas simétricas e profundas em parede lateral e lateral alta. A dosagem de troponina de alta sensibilidade teve resultado com valor acima do percentil 99 do valor de referência (positiva). Marque a alternativa INCORRETA:
IAMSSST é diagnosticado com elevação de troponina + isquemia, mesmo SEM supra de ST no ECG.
O diagnóstico de Infarto Agudo do Miocárdio Sem Supradesnivelamento do Segmento ST (IAMSSST) é feito pela elevação de biomarcadores cardíacos (troponina) em um cenário de isquemia miocárdica, independentemente da ausência de supradesnivelamento do ST no ECG. Ondas T invertidas simétricas e profundas, como as de Wellens, podem indicar isquemia grave.
O Infarto Agudo do Miocárdio (IAM) é uma das principais causas de morbimortalidade cardiovascular e representa uma emergência médica. É crucial para o residente de medicina dominar seu diagnóstico e manejo. O IAM é classificado em com supradesnivelamento do segmento ST (IAMCSST) e sem supradesnivelamento do segmento ST (IAMSSST), sendo que ambos são formas graves de síndrome coronariana aguda (SCA). O diagnóstico de IAMSSST é estabelecido pela presença de sintomas isquêmicos, alterações eletrocardiográficas sugestivas de isquemia (como inversão de onda T, depressão de ST) e, fundamentalmente, pela elevação dos biomarcadores de necrose miocárdica, como a troponina. A troponina de alta sensibilidade revolucionou o diagnóstico do IAM, permitindo a detecção de pequenas quantidades de lesão miocárdica e a exclusão ou confirmação do diagnóstico em um período de tempo muito menor em comparação com os biomarcadores mais antigos (CK-MB). Isso otimiza o fluxo na emergência, reduzindo o tempo de permanência e permitindo uma estratificação de risco mais rápida e precisa. A ausência de supradesnivelamento do segmento ST no ECG não afasta o diagnóstico de IAM, mas sim o classifica como IAMSSST, que tem uma abordagem terapêutica diferente do IAMCSST. A abordagem inicial de um paciente com IAMSSST inclui antiagregação plaquetária dupla (AAS e um inibidor P2Y12 como clopidogrel, ticagrelor ou prasugrel), anticoagulação, beta-bloqueadores (se não houver contraindicações), nitratos e estatinas. A trombólise não é indicada para IAMSSST, sendo a estratégia de revascularização preferencialmente a intervenção coronariana percutânea (ICP) em pacientes de alto risco, realizada de forma precoce, mas não emergencial como no IAMCSST.
O IAM é diagnosticado pela elevação e/ou queda dos biomarcadores cardíacos (preferencialmente troponina de alta sensibilidade) com pelo menos um dos seguintes: sintomas de isquemia, alterações isquêmicas no ECG, desenvolvimento de ondas Q patológicas, nova perda de miocárdio viável ou anormalidade de movimento da parede em exames de imagem, ou identificação de trombo intracoronariano.
A troponina de alta sensibilidade permite a detecção precoce de lesão miocárdica, possibilitando o diagnóstico ou exclusão de IAM em poucas horas, reduzindo o tempo de permanência na emergência e otimizando o manejo do paciente.
A trombólise é indicada principalmente em pacientes com Infarto Agudo do Miocárdio Com Supradesnivelamento do Segmento ST (IAMCSST) que não têm acesso rápido à angioplastia primária. Não é indicada para IAMSSST ou angina instável.
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