IAMSSST: Diagnóstico por Troponina e Conduta

PUC-PR Saúde - Pontifícia Universidade Católica do Paraná — Prova 2023

Enunciado

Paciente de 72 anos é admitido em serviço de emergência com quadro de dor torácica com início há 2 horas. Ele refere que é portador de hipertensão e diabetes, além de já ter sofrido um infarto do miocárdio há 4 anos, quando foi submeti- do a angioplastia com Stent. Relata que a dor torácica é idêntica ao episódio anterior de infarto, sendo do tipo opressi- va e com irradiação para mandíbula. Você realiza o eletrocardiograma do paciente que é evidenciado abaixo: Após a administração de um comprimido de nitrato, o paciente apresenta melhora completa da dor, então você solicita a dosagem de troponina ultrassensível com intervalo de 3 horas entre elas e obtém como resultado: Primeira Amostra: 84 ng/L (ref: 14 ng/L) Segunda Amostra: 22 ng/L (ref: 14 ng/L) Qual a conduta mais adequada para o caso?

Alternativas

  1. A) Como o paciente apresentou queda nos níveis séricos de troponina, trata-se de Injuria Miocárdica aguda, sendo indicado a realização de teste funcional em até 24 horas.
  2. B) Como o paciente apresenta curva decrescente dos níveis de troponina, devemos solicitar uma terceira amostra e caso apresente-se abaixo do limite superior da normalidade, consideramos como portador de angina instável, sendo indicada a realização de teste funcional em até 48 horas.
  3. C) Como o paciente já é sabidamente portador de doença coronariana e a dor melhorou completamente com uso de nitrato, além de apresentar curva decrescente de troponina, trata-se de uma injúria miocárdica crônica, sendo indicado a realização de ecocardiograma em até 1 semana.
  4. D) Trata-se de possível caso de miocardite aguda, sendo indicado o início de corticoides e a realização de ressonância magnética cardíaca.
  5. E) O Paciente preenche critérios para Infarto Agudo do Miocárdio e deve ser encaminhado para cateterismo cardíaco em até 24 horas.

Pérola Clínica

IAMSSST: dor isquêmica + elevação/queda troponina. Curva descendente não exclui IAM, indica evento agudo.

Resumo-Chave

O diagnóstico de Infarto Agudo do Miocárdio sem supradesnivelamento do segmento ST (IAMSSST) é feito pela presença de isquemia miocárdica (dor torácica típica, alterações no ECG) e elevação e/ou queda dos biomarcadores cardíacos (troponina). Uma curva descendente de troponina, mesmo que os valores ainda estejam acima do limite de referência, indica um processo agudo de injúria miocárdica e não exclui o diagnóstico de IAM.

Contexto Educacional

O Infarto Agudo do Miocárdio sem supradesnivelamento do segmento ST (IAMSSST) é uma forma comum de síndrome coronariana aguda, representando um desafio diagnóstico e terapêutico. Sua importância reside na alta morbimortalidade se não for prontamente reconhecido e tratado. O manejo adequado é crucial para prevenir complicações e melhorar o prognóstico dos pacientes. A fisiopatologia do IAMSSST envolve a ruptura de uma placa aterosclerótica com formação de trombo não oclusivo ou oclusão transitória, levando à isquemia e necrose miocárdica. O diagnóstico baseia-se na tríade de sintomas isquêmicos, alterações eletrocardiográficas (sem supradesnivelamento do ST) e elevação e/ou queda dos biomarcadores cardíacos, especialmente a troponina ultrassensível. A curva de troponina é fundamental: uma elevação e/ou queda, mesmo que os valores estejam em declínio, confirma a injúria miocárdica aguda. O tratamento do IAMSSST inclui terapia anti-isquêmica, antiplaquetária e anticoagulante, além da estratificação de risco para definir o momento da cineangiocoronariografia. Pacientes com alto risco, como o descrito na questão (histórico de infarto, angioplastia prévia, diabetes, hipertensão e dor típica com troponina elevada), devem ser encaminhados para cateterismo cardíaco em até 24 horas para revascularização, se indicada, visando reduzir eventos isquêmicos futuros.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos para Infarto Agudo do Miocárdio sem supradesnivelamento do segmento ST (IAMSSST)?

O diagnóstico de IAMSSST requer evidência de necrose miocárdica com características de isquemia aguda. Isso inclui elevação e/ou queda dos biomarcadores cardíacos (troponina) acima do percentil 99 do limite superior da normalidade, juntamente com pelo menos um dos seguintes: sintomas de isquemia, novas alterações isquêmicas no ECG, desenvolvimento de ondas Q patológicas, ou evidência de perda de miocárdio viável em exames de imagem.

Como interpretar a curva de troponina ultrassensível para o diagnóstico de IAMSSST?

A interpretação da troponina ultrassensível para IAMSSST envolve a detecção de uma elevação e/ou queda significativa dos valores. Uma curva ascendente e/ou descendente, com pelo menos um valor acima do percentil 99 do limite superior da normalidade, é indicativa de injúria miocárdica aguda. Mesmo uma curva descendente, se os valores ainda estiverem elevados, confirma a injúria aguda.

Quando o cateterismo cardíaco é indicado em pacientes com IAMSSST?

O cateterismo cardíaco é indicado em pacientes com IAMSSST, especialmente aqueles com alto risco (como o paciente do caso, com infarto prévio, diabetes, hipertensão e dor isquêmica recorrente). Em pacientes de alto risco, a intervenção coronariana percutânea (ICP) deve ser considerada em até 24 horas após o diagnóstico para otimizar os resultados.

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