IAM Perioperatório: Diagnóstico e Manejo em Cirurgias

CSNSC - Casa de Saúde Nossa Senhora do Carmo (RJ) — Prova 2020

Enunciado

Com relação às complicações perioperatórias nas cirurgias não cardíacas, assinale a alternativa correta:

Alternativas

  1. A) A maioria dos infartos miocárdicos perioperatórios ocorrem nos primeiros três dias após o procedimento, sendo grande parte dos pacientes oligossintomáticos ou assintomáticos.
  2. B) Hipotensão é uma complicação frequente no pós operatório imediato, sendo, portanto, sempre indicado a suspensão dos anti-hipertensivos no dia da cirurgia.
  3. C) Para prevenir infecções de sítios cirúrgico é sempre recomendado o uso de antibiótico profilático por pelo menos 48h em caso de cirurgias abdominais e torácicas.
  4. D) Os betabloqueadores são uma classe de medicamentos que induzem maiores complicações no pós operatório, devido ao efeito inotrópico negativo.

Pérola Clínica

IAM perioperatório: 70% nos 3 primeiros dias, maioria oligossintomático/assintomático.

Resumo-Chave

O infarto agudo do miocárdio perioperatório é uma complicação grave, frequentemente subdiagnosticada devido à ausência de sintomas típicos, exigindo alta suspeição e monitorização de biomarcadores cardíacos no pós-operatório imediato, especialmente em pacientes de risco.

Contexto Educacional

As complicações perioperatórias em cirurgias não cardíacas representam um desafio significativo na prática médica, sendo as cardiovasculares as mais temidas. O infarto agudo do miocárdio (IAM) perioperatório é uma das principais causas de morbimortalidade, com uma incidência que varia conforme o risco do paciente e do procedimento. É fundamental que residentes e profissionais de saúde compreendam sua fisiopatologia e apresentação atípica para um manejo adequado. A fisiopatologia do IAM perioperatório é multifatorial, envolvendo desequilíbrio entre oferta e demanda de oxigênio miocárdico, inflamação sistêmica e estado protrombótico. A particularidade reside no fato de que a maioria dos eventos ocorre nos primeiros três dias após a cirurgia e, frequentemente, os pacientes são oligossintomáticos ou assintomáticos, mascarados pela analgesia e sedação. Isso exige uma alta suspeição clínica e a utilização de biomarcadores cardíacos, como a troponina, para o diagnóstico. O manejo perioperatório envolve a estratificação de risco pré-operatória, otimização de condições clínicas e, em alguns casos, o uso de betabloqueadores em pacientes selecionados. A suspensão de anti-hipertensivos no dia da cirurgia deve ser individualizada, pois a hipotensão pode ser deletéria. A profilaxia antibiótica para infecção de sítio cirúrgico deve seguir protocolos específicos, geralmente por um período curto, não prolongado por 48h rotineiramente.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais fatores de risco para IAM perioperatório?

Os principais fatores de risco incluem doença arterial coronariana prévia, insuficiência cardíaca, doença renal crônica, diabetes mellitus, AVC prévio e cirurgias de alto risco. A idade avançada também é um fator importante.

Como é feito o diagnóstico de infarto miocárdico perioperatório?

O diagnóstico baseia-se na elevação dos biomarcadores cardíacos (troponinas) acima do percentil 99 do limite superior de referência, associada a evidências de isquemia miocárdica (sintomas, alterações eletrocardiográficas, novas alterações de mobilidade regional na imagem ou evidência de trombo coronariano).

Qual a importância da monitorização no pós-operatório para IAM?

A monitorização é crucial porque grande parte dos IAM perioperatórios é oligossintomática ou assintomática. A dosagem seriada de troponinas nos primeiros dias pós-cirurgia é recomendada para pacientes de alto risco, permitindo o diagnóstico precoce e a intervenção adequada.

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