UNESP/HCFMB - Hospital das Clínicas de Botucatu (SP) — Prova 2020
Mulher de 80 anos apresenta dor torácica retroesternal em peso, contínua, de forte intensidade, sem fatores de melhora, acompanhada de fraqueza e turvação visual há 6 horas. AP: DM, AVC há 10 anos. Exame físico: REG, FR 14 irpm, FC 40 bpm, PA 80/60 mmHg, oximetria 95% em ar ambiente, bulhas rítmicas sem sopros, ausculta respiratória com som claro pulmonar. ECG da admissão (imagem a seguir). Assinale a alternativa correta.
IAM inferior + bradicardia = BAV intranodal transitório, raramente MP permanente.
Bradicardias e bloqueios atrioventriculares em IAM de parede inferior são frequentemente causados por isquemia do nó AV (suprido pela artéria coronária direita), resultando em bloqueio intranodal. Geralmente são transitórios e respondem bem a atropina ou marcapasso temporário, com resolução em poucos dias.
O Infarto Agudo do Miocárdio (IAM) de parede inferior é uma condição comum na prática clínica, frequentemente associada à oclusão da artéria coronária direita. Sua importância reside não apenas no dano miocárdico, mas também nas complicações elétricas, como as bradicardias e bloqueios atrioventriculares (BAV), que podem ser hemodinamicamente significativas. O reconhecimento precoce e o manejo adequado dessas arritmias são cruciais para a estabilização do paciente e para a prevenção de desfechos adversos. A fisiopatologia das bradicardias em IAM inferior está ligada à isquemia do nó atrioventricular, que é suprido pela artéria coronária direita em cerca de 90% dos indivíduos. Essa isquemia causa um bloqueio intranodal, que é caracteristicamente transitório e geralmente reversível com a reperfusão e a redução do edema. O diagnóstico é feito pelo ECG, que mostra bradicardia sinusal, BAV de primeiro grau, BAV de segundo grau tipo Mobitz I (Wenckebach) ou, menos frequentemente, BAV total. A suspeita deve surgir em pacientes com dor torácica e alterações hemodinâmicas como hipotensão e bradicardia. O tratamento inicial das bradicardias sintomáticas envolve atropina e, se refratário, marcapasso transcutâneo ou transvenoso temporário. A maioria dos casos se resolve em 2 a 3 dias. Marcapasso permanente é raramente indicado, reservado para bloqueios persistentes ou infranodais. É vital diferenciar o bloqueio intranodal do infranodal, que tem pior prognóstico e maior necessidade de marcapasso definitivo, e estar atento a contraindicações como o uso de nitratos em IAM de ventrículo direito.
O IAM de parede inferior frequentemente afeta a artéria coronária direita, que irriga o nó atrioventricular. A isquemia e o edema do nó AV podem levar a bradicardias e bloqueios atrioventriculares, que são geralmente transitórios.
Marcapasso permanente é raramente necessário para bradicardias em IAM inferior, pois são tipicamente transitórias. É considerado se o bloqueio AV persistir após a revascularização e resolução da fase aguda, ou se houver evidência de bloqueio infranodal.
Nitratos são contraindicados em pacientes com IAM de ventrículo direito (comumente associado a IAM inferior) devido à dependência de pré-carga. Também são contraindicados em uso recente de inibidores de fosfodiesterase.
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