IAM de Parede Inferior e Obstrução de Coronária Direita

HASP - Hospital Adventista de São Paulo — Prova 2022

Enunciado

M.H.A., 61 anos, masculino, procurou a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de seu município por quadro de dor torácica intensa, com sensação de pressão e irradiando para mandíbula e membro superior esquerdo. Queixa-se de vontade de vomitar, enjôo intenso e muito suor, o quadro se iniciou há 25 minutos após desavença familiar. Tem hipertensão arterial sistêmica e diabetes, atualmente em uso de atenolol 25 mg de 12/12 horas e metformina (XR) 500 mg de manhã e 1 gr a noite, tabagista 50 maços-ano. Nega etilismo. Paciente foi levado à sala de emergência. Ao exame clínico inicial encontra-se em regular estado geral, corado, acianótico, glasgow 15, sudoreico, fácies ansiosa; freqüência respiratória 22, saturação oxigênio 99%, pressão arterial 80 x 60 mmHg; propedêutica pulmonar, cardíaca, abdominal e de membros sem outras alterações significativas. Foi realizada uma glicemia capilar = 210 mg/dL e um eletrocardiograma que se encontra abaixo: Em relação a este paciente, espera-se encontrar mais provavelmente: 

Alternativas

  1. A) Obstrução de coronária direita.
  2. B) Obstrução de tronco de coronária esquerda.
  3. C) Obstrução de segunda coronária diagonal esquerda.
  4. D) Obstrução de coronária descendente anterior.

Pérola Clínica

IAM inferior + Hipotensão + Pulmão limpo → Suspeitar de Infarto de VD (Coronária Direita).

Resumo-Chave

O infarto da parede inferior (DII, DIII, aVF) frequentemente envolve a coronária direita. A presença de hipotensão sugere acometimento do ventrículo direito, exigindo cautela com nitratos.

Contexto Educacional

O infarto agudo do miocárdio de parede inferior é classicamente associado à obstrução da artéria coronária direita. Clinicamente, o envolvimento do ventrículo direito deve ser suspeitado sempre que houver a tríade de hipotensão, campos pulmonares limpos e turgência jugular. O diagnóstico eletrocardiográfico é complementado pelas derivações direitas (V3R e V4R), onde o supra de ST em V4R é altamente específico para infarto de VD. A fisiopatologia envolve a redução da complacência e contratilidade do VD, tornando o enchimento do ventrículo esquerdo dependente do fluxo passivo através do leito pulmonar. Isso explica a sensibilidade extrema a depletores de volume e a importância de manter uma pré-carga adequada. O reconhecimento precoce é vital, pois o manejo do choque no infarto de VD difere substancialmente do choque cardiogênico por falência de ventrículo esquerdo.

Perguntas Frequentes

Quais derivações do ECG indicam parede inferior?

As derivações DII, DIII e aVF visualizam a parede inferior do coração. Alterações nessas derivações, como o supra-desnivelamento do segmento ST, sugerem fortemente a oclusão da artéria coronária direita (em cerca de 80% dos casos) ou da artéria circunflexa (em 20%). Quando associado à hipotensão e bradicardia, a probabilidade de envolvimento da coronária direita aumenta significativamente.

Por que ocorre hipotensão no infarto de parede inferior?

A hipotensão no infarto inferior geralmente decorre da extensão do infarto para o ventrículo direito (VD). O VD infartado torna-se dependente de pré-carga para manter o débito cardíaco; a perda de contratilidade reduz o volume ejetado para a circulação pulmonar, resultando em baixo enchimento do ventrículo esquerdo e consequente baixo débito sistêmico.

Como manejar a hipotensão no infarto de VD?

O tratamento inicial foca na otimização da pré-carga com infusão de volume (soro fisiológico). Deve-se evitar rigorosamente medicamentos que reduzam a pré-carga, como nitratos, diuréticos e opioides, pois podem precipitar choque refratário. Se a reposição volêmica não for suficiente, o uso de inotrópicos como a dobutamina pode ser necessário até a reperfusão.

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