UFES/HUCAM - Hospital Universitário Cassiano Antônio Moraes - Vitória (ES) — Prova 2025
Paciente com dor definitivamente anginosa, eletrocardiograma com Supra de ST de parede lateral, pressão arterial de 160/90 mmHg em Killip I, frequência cardíaca de 50 bpm. Assinale a melhor alternativa a respeito da terapia medicamentosa adjuvante do infarto nesse caso:
Bradicardia (FC < 60) contraindica BB no IAM; IECA é fundamental para reduzir remodelamento e mortalidade.
No IAM com supra de ST, os IECAs devem ser iniciados nas primeiras 24h em pacientes estáveis para atenuar o remodelamento ventricular, enquanto betabloqueadores são evitados na fase aguda se houver bradicardia.
O manejo farmacológico adjuvante no Infarto Agudo do Miocárdio com Supradesnivelamento do Segmento ST (IAMCSST) visa não apenas o alívio sintomático, mas a redução de eventos adversos maiores e mortalidade. A estabilização hemodinâmica é o primeiro passo para a introdução de terapias que modificam o prognóstico. Os IECAs são pilares no tratamento, pois bloqueiam o sistema renina-angiotensina-aldosterona, prevenindo a dilatação ventricular e a fibrose miocárdica. Já os betabloqueadores, embora benéficos, exigem cautela extrema na fase hiperaguda; no caso clínico apresentado, a frequência cardíaca de 50 bpm é uma contraindicação formal ao seu início imediato. O equilíbrio entre a proteção miocárdica e a manutenção do débito cardíaco é essencial na prescrição do residente de cardiologia.
O IECA (Inibidor da Enzima Conversora de Angiotensina) é indicado nas primeiras 24 horas do IAMCSST, especialmente em pacientes com disfunção sistólica do VE, insuficiência cardíaca ou infarto de parede anterior. Ele atua reduzindo a pós-carga e, crucialmente, inibindo o remodelamento ventricular adverso, o que diminui a incidência de insuficiência cardíaca tardia e reduz a mortalidade a longo prazo.
As principais contraindicações incluem sinais de insuficiência cardíaca aguda (Killip > I), risco de choque cardiogênico (idade > 70 anos, PAS < 120 mmHg, FC > 110 bpm), bradicardia sinusal (FC < 60 bpm), bloqueio atrioventricular de 2º ou 3º grau, e asma brônquica ativa ou doença reativa das vias aéreas.
Os nitratos devem ser evitados em pacientes com hipotensão arterial (PAS < 90 mmHg), bradicardia grave (< 50 bpm), taquicardia ventricular, suspeita de infarto de ventrículo direito ou uso recente de inibidores da fosfodiesterase-5 (sildenafila nas últimas 24h ou tadalafila nas últimas 48h).
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