INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2021
Uma mulher com 55 anos de idade procura a unidade de emergência referenciada com queixa de dor precordial em aperto há 12 horas. Antecedentes pessoais: diabética tipo 2, há 12 anos, em uso de metformina 1 500 mg ao dia e glicazida 30 mg ao dia, hipertensão arterial, há 8 anos, em uso de captopril 150 mg ao dia. Exame físico da admissão: PA = 100 x 60 mmHg, FC = 70 bpm, FR = 18 irpm, Sat = 92%. Ritmo cardíaco regular em 2 tempos sem sopros, murmúrio vesicular presente e simétrico com estertores crepitantes em base, abdome globoso, fígado há 4 cm do rebordo costal direito, baço não percutível. Extremidades: pulsos periféricos diminuído, edema 3+/4+. ECG abaixo: Diante do quadro apresentado, o diagnóstico e tratamento são
Dor precordial >12h + sinais de IC + ECG sem supra de ST agudo → IAM evoluído, indicar cateterismo.
Um quadro de dor precordial prolongada (>12 horas), especialmente em paciente diabético (que pode ter apresentação atípica), associado a sinais de insuficiência cardíaca (estertores, edema, hepatomegalia) e um ECG que não mostra supradesnivelamento de ST agudo, sugere um infarto agudo do miocárdio evoluído, que requer estratificação invasiva com cateterismo cardíaco.
O Infarto Agudo do Miocárdio (IAM) é uma das principais causas de morbimortalidade cardiovascular. Em pacientes com fatores de risco como diabetes e hipertensão, a apresentação pode ser atípica ou mais grave. Um IAM é considerado "evoluído" quando a janela de tempo para reperfusão imediata (como trombólise ou angioplastia primária em IAM com supra de ST) já passou, geralmente após 12 a 24 horas do início dos sintomas. O diagnóstico de IAM evoluído baseia-se na história clínica de dor precordial prolongada, alterações eletrocardiográficas que indicam necrose (ondas Q patológicas, alterações de ST-T sem supra agudo) e elevação e queda de biomarcadores cardíacos. A presença de sinais de insuficiência cardíaca, como estertores pulmonares, edema e hepatomegalia, indica uma complicação significativa do infarto. A conduta para o IAM evoluído, especialmente com sinais de insuficiência cardíaca, é a estabilização clínica e a estratificação invasiva com cateterismo cardíaco. O cateterismo permite identificar a artéria culpada, avaliar a extensão da doença coronariana e realizar intervenção coronariana percutânea (ICP) se houver lesões significativas, visando melhorar a função ventricular e o prognóstico a longo prazo, mesmo que a reperfusão não seja tão urgente quanto no IAM agudo com supra. A trombólise não é indicada nesse cenário.
Um IAM é considerado evoluído quando a dor precordial persiste por mais de 12 a 24 horas, ou quando o ECG já apresenta ondas Q patológicas e/ou alterações de segmento ST e onda T que indicam isquemia ou necrose estabelecida, sem supradesnivelamento agudo.
O cateterismo cardíaco permite a avaliação da anatomia coronariana, identificação da artéria culpada e, se indicado, a realização de angioplastia com stent para restaurar o fluxo sanguíneo, mesmo em infartos evoluídos, melhorando o prognóstico a longo prazo.
Em um IAM evoluído, podem surgir complicações como insuficiência cardíaca (evidenciada por estertores, edema, hepatomegalia), arritmias, choque cardiogênico, e complicações mecânicas como ruptura de parede livre, CIV ou insuficiência mitral aguda.
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