HSL Copacabana - Hospital São Lucas Copacabana (RJ) — Prova 2021
J.F.K., masculino, 70 anos, tabagista 40 maços/ano, renal crônico em diálise. Procura urgência com mal estar e náuseas há cerca de 30 minutos. PA 160x100 mmHg. ECG realizado a seguir:Qual alternativa correta?
Paciente renal crônico, tabagista, com mal-estar e náuseas → suspeitar IAM, mesmo com sintomas atípicos.
Pacientes com doença renal crônica e tabagismo apresentam alto risco cardiovascular. Sintomas atípicos como mal-estar e náuseas podem ser a única manifestação de um IAM, especialmente em idosos e diabéticos. A avaliação do ECG é crucial, buscando alterações isquêmicas.
O Infarto Agudo do Miocárdio (IAM) é uma das principais causas de morbimortalidade global, e sua apresentação clínica pode ser variada, especialmente em populações de alto risco. Pacientes idosos, diabéticos e aqueles com doença renal crônica (DRC) são particularmente propensos a apresentações atípicas, o que pode atrasar o diagnóstico e o tratamento. A DRC, em particular, é um potente fator de risco cardiovascular, com a aterosclerose acelerada sendo uma complicação comum. A fisiopatologia do IAM em pacientes com DRC envolve não apenas os fatores de risco tradicionais (tabagismo, hipertensão, dislipidemia) mas também fatores específicos da uremia, como inflamação crônica, estresse oxidativo, calcificação vascular e disfunção endotelial. Estes elementos contribuem para uma maior vulnerabilidade miocárdica e uma resposta inflamatória exacerbada. A apresentação clínica pode ser mascarada pela neuropatia autonômica, levando a sintomas como mal-estar, náuseas, dispneia ou fadiga, em vez da dor torácica típica. O diagnóstico precoce do IAM é crucial para otimizar o prognóstico. A avaliação deve incluir um ECG de 12 derivações, que pode mostrar alterações isquêmicas como supradesnivelamento ou infradesnivelamento do segmento ST, inversão de onda T ou ondas Q patológicas. Marcadores de necrose miocárdica, como troponinas, são essenciais, embora seus níveis possam estar cronicamente elevados em pacientes com DRC, exigindo a avaliação de sua cinética. O manejo inclui terapia antiplaquetária, anticoagulação, e, quando indicado, revascularização.
Pacientes com doença renal crônica frequentemente apresentam múltiplos fatores de risco cardiovascular, como hipertensão, dislipidemia, diabetes e tabagismo, além de inflamação crônica e estresse oxidativo, que contribuem para a aterosclerose acelerada.
A neuropatia autonômica, comum em idosos e diabéticos, e a uremia em renais crônicos podem alterar a percepção da dor, levando a sintomas inespecíficos como mal-estar, náuseas, dispneia ou fadiga, em vez da dor torácica clássica.
As alterações clássicas incluem supradesnivelamento do segmento ST (IAM com supra), infradesnivelamento ST, inversão de onda T, ou ondas Q patológicas. Em casos de IAM sem supra, as alterações podem ser mais sutis ou dinâmicas.
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