INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2017
Um homem com 50 anos de idade, ao ser atendido em um Serviço de Emergência, refere desconforto torácico descrito como sensação de aperto, com início há cerca de 90 minutos, sem fatores de alívio. Questionado a respeito da localização da dor, o paciente coloca a mão fechada sobre o lado esquerdo do peito. Informa, ainda, que o desconforto teve início após ter subido escadas, tendo evoluído também com náuseas, palidez cutâneo-mucosa e sudorese fria. O paciente é portador de hipertensão arterial sistêmica e dislipidemia, estando em uso regular de enalapril - 20 mg/dia, de sinvastatina - 20 mg/dia e de ácido acetilsalicílico - 100 mg/dia. Durante o atendimento, foi realizado eletrocardiograma, cujo resultado está reproduzido a seguir: Nessa situação, qual é o diagnóstico mais provável e o que se espera encontrar na curva enzimática do paciente no momento de sua chegada?
Dor precordial < 2h + ECG alterado → Mioglobina é o marcador de elevação mais precoce (janela ultra-rápida).
No IAM com 90 minutos de evolução, a mioglobina é o marcador mais sensível devido à sua liberação rápida, precedendo a Troponina e a CK-MB.
O diagnóstico de Infarto Agudo do Miocárdio (IAM) baseia-se na clínica, eletrocardiograma e biomarcadores. O 'Sinal de Levine' (mão fechada sobre o peito) é um indicador clássico de dor isquêmica. Em pacientes que se apresentam precocemente (janela < 2-3 horas), o ECG é a ferramenta diagnóstica mais crucial, pois os marcadores de necrose podem ainda não ter ultrapassado o limite de detecção. A mioglobina, apesar de pouco específica (também presente no músculo esquelético), é o primeiro marcador a subir. O IAM de parede inferolateral dorsal frequentemente envolve a artéria coronária direita ou a artéria circunflexa, dependendo da dominância, e requer monitorização rigorosa para complicações como bradicardias e disfunção de ventrículo direito.
A mioglobina é uma proteína de baixo peso molecular liberada precocemente após a lesão miocárdica. Ela começa a se elevar entre 1 a 3 horas após o início da dor, atingindo o pico em 6 a 9 horas e retornando ao normal em 24 horas. Sua principal utilidade é o alto valor preditivo negativo em janelas precoces.
O IAM de parede inferior apresenta supra de ST em DII, DIII e aVF. A extensão lateral é vista em V5, V6, DI e aVL. O componente dorsal (posterior) é sugerido por imagem em espelho (infra de ST) em V1, V2 e V3, devendo ser confirmado com as derivações posteriores V7, V8 e V9.
As troponinas cardíacas (I ou T), embora altamente específicas, levam mais tempo para atingir níveis detectáveis no sangue periférico, geralmente começando a subir após 3 a 4 horas do início da lesão. Em um paciente com apenas 90 minutos de sintomas, a troponina pode ainda estar abaixo do percentil 99.
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