PCR por Fibrilação Ventricular: A Causa Mais Comum em Adultos

IAMSPE/HSPE - Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público - Hospital do Servidor (SP) — Prova 2025

Enunciado

Um homem de 55 anos sofre uma parada cardiorrespiratória durante esforço físico. Após o atendimento inicial, o eletrocardiograma mostra fibrilação ventricular como ritmo inicial. Qual é a causa cardíaca mais provável dessa parada cardiorrespiratória?

Alternativas

  1. A) Miocardite viral, frequentemente associada a bloqueios cardíacos completos.
  2. B) Infarto agudo do miocárdio, levando a isquemia miocárdica severa e arritmias malignas.
  3. C) Tamponamento cardíaco, causando colapso hemodinâmico por compressão do coração.
  4. D) Dissecção aguda de aorta, resultando em tamponamento e colapso circulatório.
  5. E) Síndrome do QT longo, predispondo à taquiarritmia polimórfica.

Pérola Clínica

PCR em adulto de meia-idade durante esforço com FV = Infarto Agudo do Miocárdio até prova em contrário.

Resumo-Chave

A isquemia miocárdica aguda, causada pela oclusão de uma artéria coronária, gera instabilidade elétrica no miocárdio. Isso predispõe a arritmias ventriculares reentrantes, como a fibrilação ventricular, que é o ritmo inicial mais comum em PCRs testemunhadas fora do hospital.

Contexto Educacional

A parada cardiorrespiratória (PCR) súbita em adultos, especialmente durante o esforço físico, é uma emergência médica com alta mortalidade. Epidemiologicamente, a causa subjacente mais comum em indivíduos acima de 35-40 anos é a doença arterial coronariana (DAC). O infarto agudo do miocárdio (IAM) representa a manifestação mais aguda e catastrófica da DAC, sendo responsável pela maioria desses eventos. A fisiopatologia envolve a ruptura de uma placa aterosclerótica em uma artéria coronária, levando à formação de um trombo oclusivo. A isquemia severa resultante cria heterogeneidade elétrica no miocárdio, com áreas de potenciais de ação e períodos refratários distintos. Esse substrato arritmogênico favorece o surgimento de circuitos de reentrada, culminando em arritmias ventriculares malignas, como a Taquicardia Ventricular (TV) que rapidamente degenera para Fibrilação Ventricular (FV). A FV é uma atividade elétrica caótica que impede a contração cardíaca eficaz, resultando em colapso hemodinâmico imediato. O manejo da PCR por FV é centrado no Suporte Avançado de Vida em Cardiologia (ACLS), cuja pedra angular é a desfibrilação precoce, além de compressões torácicas de alta qualidade e manejo avançado de via aérea. O prognóstico depende criticamente do tempo para o primeiro choque. Após o retorno da circulação espontânea, a investigação imediata com cateterismo cardíaco é indicada para identificar e tratar a lesão coronariana culpada, melhorando a sobrevida e o desfecho neurológico.

Perguntas Frequentes

Quais são os ritmos de parada cardiorrespiratória e qual o mais comum em PCR testemunhada?

Os ritmos de PCR são divididos em chocáveis (Fibrilação Ventricular e Taquicardia Ventricular sem pulso) e não chocáveis (Atividade Elétrica Sem Pulso e Assistolia). Em PCRs testemunhadas, especialmente fora do ambiente hospitalar, a Fibrilação Ventricular é o ritmo inicial mais frequente.

Qual a conduta imediata ao identificar Fibrilação Ventricular em uma PCR?

A conduta imediata é a desfibrilação elétrica o mais rápido possível, associada a compressões torácicas de alta qualidade. Cada minuto de atraso na desfibrilação reduz drasticamente a chance de sobrevida.

Como diferenciar um IAM de uma dissecção de aorta como causa de PCR?

A diferenciação pode ser difícil na emergência. A dissecção aórtica frequentemente cursa com dor torácica lancinante, irradiada para o dorso, e pode apresentar assimetria de pulsos. O IAM tipicamente apresenta dor em aperto com alterações eletrocardiográficas de isquemia. O ecocardiograma é crucial na suspeita de dissecção.

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