HPEV - Hospital Professor Edmundo Vasconcelos (SP) — Prova 2021
Homem, 58 anos de idade, trazido pelo SAMU ao pronto atendimento com história de precordialgia em aperto, início súbito, forte intensidade (9/10), acompanhada de sudorese fria e náuseas, iniciada 30 minutos após estresse no trabalho. Informa que há 1 dia apresentou episódio semelhante, de menor intensidade (4/10), duração de 1 minuto, com desaparecimento espontâneo. Em uso irregular de atenolol 50 mg/dia para controle da pressão arterial, sabe ter colesterol elevado; tabagista de 30 anos-maço. Antecedentes familiares: pai falecido por acidente vascular cerebral aos 74 anos. Ao exame físico: afebril, PA 165 x 88 mmHg; frequência cardíaca = 110 batimentos/minuto. Ausculta cardíaca: 4ª bulha audível, com ausência de sopros. Ausculta pulmonar normal. Realizado eletrocardiograma (reproduzido a seguir) e coleta de marcadores de necrose miocárdica. O serviço de hemodinâmica mais próximo está localizado em um hospital terciário, há 75 minutos da unidade de emergência. Após a estabilização do paciente e as medidas iniciais, qual conduta que deve ser tomada neste momento?
IAMCSST com tempo porta-balão < 120 min → angioplastia primária é a terapia de reperfusão preferencial.
Em pacientes com infarto agudo do miocárdio com supradesnivelamento do segmento ST (IAMCSST), a reperfusão coronariana é a prioridade. A angioplastia primária é o tratamento de escolha se puder ser realizada em até 120 minutos do primeiro contato médico, sendo superior à trombólise sistêmica.
O Infarto Agudo do Miocárdio com Supradesnivelamento do Segmento ST (IAMCSST) é uma emergência cardiovascular que exige reconhecimento e tratamento imediatos para minimizar o dano miocárdico e melhorar a sobrevida. A fisiopatologia envolve a oclusão completa de uma artéria coronária, geralmente por um trombo sobre uma placa aterosclerótica rota, resultando em isquemia e necrose do miocárdio. O diagnóstico é clínico (dor torácica típica) e eletrocardiográfico (supradesnivelamento do segmento ST em duas ou mais derivações contíguas). A conduta primordial é a reperfusão coronariana o mais rápido possível. A angioplastia coronariana primária (PCI primária) é a terapia de reperfusão preferencial, desde que possa ser realizada em um centro especializado com hemodinâmica em até 120 minutos do primeiro contato médico. Se esse tempo não puder ser cumprido, a trombólise sistêmica é uma alternativa, desde que não haja contraindicações. Para residentes, é crucial dominar o algoritmo de manejo do IAMCSST, incluindo a avaliação rápida, a administração das medicações iniciais (antiagregantes, anticoagulantes, nitratos, morfina) e a decisão sobre a estratégia de reperfusão. O tempo é um fator crítico, e a coordenação com serviços de transporte e centros de referência é essencial para garantir o melhor desfecho para o paciente. A identificação dos fatores de risco cardiovascular e a prevenção secundária também são aspectos importantes a serem abordados após a fase aguda.
O tempo é miocárdio. Quanto mais rápido o fluxo sanguíneo for restaurado para a área isquêmica, menor será o dano ao músculo cardíaco e melhor o prognóstico do paciente. O objetivo é reperfusão em até 120 minutos do primeiro contato médico.
A trombólise sistêmica é indicada quando a angioplastia primária não pode ser realizada dentro dos 120 minutos recomendados do primeiro contato médico, ou seja, quando o tempo estimado para o cateterismo é superior a esse limite, e não há contraindicações para a trombólise.
As medidas iniciais incluem oxigênio (se saturação <90%), nitratos (se sem hipotensão), morfina para dor, antiagregantes plaquetários (AAS e P2Y12), anticoagulação (heparina) e beta-bloqueadores (se sem contraindicações). A reperfusão é a medida mais importante.
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