IAM com Supra de ST: Quando Indicar Trombólise?

FMJ - Faculdade de Medicina de Jundiaí - Hospital Universitário (SP) — Prova 2026

Enunciado

Um paciente de 62 anos de idade, previamente hipertenso, apresentava dor torácica típica já há 2 horas, irradiando para o braço esquerdo, associada à sudorese e às náuseas. No exame físico, apresentava-se estável hemodinamicamente. O eletrocardiograma de admissão está disposto logo a seguir. O paciente chegou ao serviço médico às 19 horas, na troca de plantão, passando-se, assim, 45 minutos sem reavaliação. O paciente estava em um hospital sem serviço de hemodinâmica, e o centro de referência mais próximo tinha um tempo estimado de recebimento do paciente em 80 minutos. Com base nesse caso clínico hipotético, assinale a opção que apresenta a conduta adequada.

Alternativas

  1. A) Transferir o paciente imediatamente para o centro com hemodinâmica, sem realizar trombólise.
  2. B) Realizar trombólise imediatamente, em caso de não haver contraindicações, e transferir para o centro de referência para angiografia/angioplastia posteriormente.
  3. C) Manter tratamento clínico conservador, devido ao paciente estar hemodinamicamente estável.
  4. D) Transferir para o centro de referência e realizar angioplastia eletiva após 24 horas.
  5. E) Realizar trombólise e manter o paciente no hospital de origem, sem transferência, em caso de melhora clínica.

Pérola Clínica

Tempo porta-balão > 120 min → Trombólise imediata (se sem contraindicações) + Transferência.

Resumo-Chave

Em hospitais sem hemodinâmica, se o tempo estimado para angioplastia primária exceder 120 minutos, a fibrinólise deve ser realizada em até 30 minutos.

Contexto Educacional

O manejo do Infarto Agudo do Miocárdio com Supradesnivelamento do Segmento ST (IAMCSST) é tempo-dependente, baseando-se no princípio de que 'tempo é músculo'. A escolha entre angioplastia primária e fibrinólise depende da disponibilidade local e do tempo de transporte. As diretrizes da SBC e AHA/ESC enfatizam que o atraso na reperfusão aumenta a mortalidade e a incidência de insuficiência cardíaca. Em cenários de transferência, o cálculo do tempo total é crucial. Se a previsão de 'fio-guia' no centro de referência for superior a 120 minutos, a trombólise química deve ser iniciada no local de origem. Este caso destaca a importância da agilidade no diagnóstico e na tomada de decisão, especialmente em trocas de plantão e hospitais periféricos.

Perguntas Frequentes

Qual o tempo limite para optar pela angioplastia primária?

A angioplastia primária é a estratégia de escolha se puder ser realizada em até 120 minutos do primeiro contato médico. Se o paciente está em um hospital sem serviço de hemodinâmica e o tempo de transferência somado ao tempo porta-balão no centro de referência ultrapassar esse limite, a fibrinólise deve ser a conduta imediata, idealmente nos primeiros 30 minutos (tempo porta-agulha), desde que não haja contraindicações absolutas. No caso clínico, o tempo total seria de pelo menos 125 minutos (45 min de atraso + 80 min de transporte), justificando a trombólise.

Quais são as principais contraindicações absolutas à fibrinólise?

As contraindicações absolutas incluem: qualquer história de hemorragia intracraniana, lesão vascular cerebral estrutural conhecida (ex: malformação arteriovenosa), neoplasia intracraniana maligna, AVC isquêmico nos últimos 3 meses (exceto AVC agudo nas últimas 4,5h), suspeita de dissecção de aorta, sangramento ativo (exceto menstruação) ou trauma cranioencefálico/facial significativo nos últimos 3 meses. Nesses casos, a transferência para angioplastia é obrigatória, mesmo que ultrapasse o tempo ideal.

O que fazer após uma trombólise bem-sucedida?

Mesmo após uma fibrinólise com critérios de reperfusão (melhora da dor e redução do supra de ST > 50%), o paciente deve ser encaminhado para um centro com hemodinâmica para realizar uma angiografia de rotina nas primeiras 3 a 24 horas (estratégia fármaco-invasiva). Se a trombólise falhar (ausência de critérios de reperfusão), o paciente deve ser transferido imediatamente para uma angioplastia de resgate. A estabilização clínica inicial não dispensa a necessidade de avaliação invasiva posterior.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo