SES-DF - Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal — Prova 2026
Nos casos de infarto agudo do miocárdio supradesnivelamento do ST (STEMI), qual é a intervenção considerada primordial para reduzir a mortalidade dos pacientes?
STEMI → Reperfusão imediata (Angioplastia ou Trombólise) = ↓ Mortalidade.
O tempo é músculo; a restauração imediata do fluxo coronariano é o único tratamento que comprovadamente reduz a mortalidade no infarto com supra de ST.
O Infarto Agudo do Miocárdio com Supradesnivelamento do Segmento ST (IAMCSST) representa uma emergência médica onde ocorre a oclusão total de uma artéria coronária, geralmente por ruptura de placa aterosclerótica e trombose sobreposta. A fisiopatologia central é a isquemia transmural, que leva à necrose progressiva do miocárdio se o fluxo não for restabelecido rapidamente. A rapidez na intervenção é o fator determinante para a preservação da função ventricular esquerda e redução da mortalidade intra-hospitalar e tardia. As evidências clínicas demonstram que a angioplastia primária é superior à trombólise em termos de taxas de patência do vaso e redução de reinfarto, desde que realizada dentro dos prazos recomendados. Contudo, em cenários onde o acesso ao laboratório de hemodinâmica é demorado, a trombólise precoce salva vidas. O manejo inicial também inclui terapia antiplaquetária dupla e anticoagulação, mas nenhuma dessas medidas substitui a necessidade imperativa de reperfusão imediata.
O tempo porta-balão é o intervalo entre a chegada do paciente ao hospital e a abertura da artéria culpada por angioplastia. Segundo as diretrizes da Sociedade Brasileira de Cardiologia, o objetivo ideal é que esse tempo seja inferior a 90 minutos em hospitais com serviço de hemodinâmica disponível. Caso o paciente seja admitido em um hospital sem hemodinâmica e precise ser transferido, o tempo porta-balão total deve ser de até 120 minutos. Se a previsão de transferência exceder esse limite, a trombólise química deve ser considerada como alternativa imediata, desde que não haja contraindicações, visando a reperfusão o mais rápido possível para minimizar a necrose miocárdica e melhorar o prognóstico a longo prazo.
A trombólise química é indicada principalmente quando a angioplastia primária não pode ser realizada em tempo hábil, ou seja, quando o tempo estimado para a abertura do vaso via cateterismo ultrapassa 120 minutos desde o primeiro contato médico. É uma estratégia fundamental em regiões com acesso limitado a centros de hemodinâmica. Os fibrinolíticos devem ser administrados idealmente em um tempo porta-agulha inferior a 30 minutos. Após a trombólise, o paciente deve ser encaminhado para um centro com hemodinâmica para realização de cineangiocoronariografia de rotina nas primeiras 2-24 horas ou imediatamente se houver sinais de falha de reperfusão, como persistência da dor ou redução do supra de ST menor que 50%.
A administração de fibrinolíticos exige triagem rigorosa devido ao risco de sangramentos graves. As contraindicações absolutas incluem: história de AVC hemorrágico em qualquer momento; AVC isquêmico nos últimos 6 meses; dano ou neoplasia do sistema nervoso central; trauma craniano importante ou cirurgia intracraniana recente (últimas 3 semanas); sangramento gastrointestinal ativo; suspeita de dissecção aórtica; e punções não compressíveis nas últimas 24 horas. Nestes casos, se a angioplastia primária não estiver disponível, o risco-benefício deve ser avaliado, mas a prioridade absoluta é a transferência emergencial para um centro de intervenção percutânea, evitando o uso de agentes que possam causar hemorragias fatais.
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