STEMI: Reperfusão e Manejo para Redução de Mortalidade

SES-DF - Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal — Prova 2026

Enunciado

Nos casos de infarto agudo do miocárdio supradesnivelamento do ST (STEMI), qual é a intervenção considerada primordial para reduzir a mortalidade dos pacientes?

Alternativas

  1. A) Reperfusão imediata por angioplastia primária ou trombólise.
  2. B) Administração isolada de nitrato sublingual.
  3. C) Controle ambulatorial da pressão arterial.
  4. D) Administração isolada de betabloqueador.

Pérola Clínica

STEMI → Reperfusão imediata (Angioplastia ou Trombólise) = ↓ Mortalidade.

Resumo-Chave

O tempo é músculo; a restauração imediata do fluxo coronariano é o único tratamento que comprovadamente reduz a mortalidade no infarto com supra de ST.

Contexto Educacional

O Infarto Agudo do Miocárdio com Supradesnivelamento do Segmento ST (IAMCSST) representa uma emergência médica onde ocorre a oclusão total de uma artéria coronária, geralmente por ruptura de placa aterosclerótica e trombose sobreposta. A fisiopatologia central é a isquemia transmural, que leva à necrose progressiva do miocárdio se o fluxo não for restabelecido rapidamente. A rapidez na intervenção é o fator determinante para a preservação da função ventricular esquerda e redução da mortalidade intra-hospitalar e tardia. As evidências clínicas demonstram que a angioplastia primária é superior à trombólise em termos de taxas de patência do vaso e redução de reinfarto, desde que realizada dentro dos prazos recomendados. Contudo, em cenários onde o acesso ao laboratório de hemodinâmica é demorado, a trombólise precoce salva vidas. O manejo inicial também inclui terapia antiplaquetária dupla e anticoagulação, mas nenhuma dessas medidas substitui a necessidade imperativa de reperfusão imediata.

Perguntas Frequentes

Qual o tempo porta-balão ideal no STEMI?

O tempo porta-balão é o intervalo entre a chegada do paciente ao hospital e a abertura da artéria culpada por angioplastia. Segundo as diretrizes da Sociedade Brasileira de Cardiologia, o objetivo ideal é que esse tempo seja inferior a 90 minutos em hospitais com serviço de hemodinâmica disponível. Caso o paciente seja admitido em um hospital sem hemodinâmica e precise ser transferido, o tempo porta-balão total deve ser de até 120 minutos. Se a previsão de transferência exceder esse limite, a trombólise química deve ser considerada como alternativa imediata, desde que não haja contraindicações, visando a reperfusão o mais rápido possível para minimizar a necrose miocárdica e melhorar o prognóstico a longo prazo.

Quando a trombólise é preferível à angioplastia?

A trombólise química é indicada principalmente quando a angioplastia primária não pode ser realizada em tempo hábil, ou seja, quando o tempo estimado para a abertura do vaso via cateterismo ultrapassa 120 minutos desde o primeiro contato médico. É uma estratégia fundamental em regiões com acesso limitado a centros de hemodinâmica. Os fibrinolíticos devem ser administrados idealmente em um tempo porta-agulha inferior a 30 minutos. Após a trombólise, o paciente deve ser encaminhado para um centro com hemodinâmica para realização de cineangiocoronariografia de rotina nas primeiras 2-24 horas ou imediatamente se houver sinais de falha de reperfusão, como persistência da dor ou redução do supra de ST menor que 50%.

Quais as contraindicações absolutas da trombólise?

A administração de fibrinolíticos exige triagem rigorosa devido ao risco de sangramentos graves. As contraindicações absolutas incluem: história de AVC hemorrágico em qualquer momento; AVC isquêmico nos últimos 6 meses; dano ou neoplasia do sistema nervoso central; trauma craniano importante ou cirurgia intracraniana recente (últimas 3 semanas); sangramento gastrointestinal ativo; suspeita de dissecção aórtica; e punções não compressíveis nas últimas 24 horas. Nestes casos, se a angioplastia primária não estiver disponível, o risco-benefício deve ser avaliado, mas a prioridade absoluta é a transferência emergencial para um centro de intervenção percutânea, evitando o uso de agentes que possam causar hemorragias fatais.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo