IAM com Supra de ST: Manejo da Terapia Fibrinolítica

INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2016

Enunciado

Um homem com 52 anos de idade, hipertenso, em uso de amlodipina, procura a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) com dor torácica anterior esquerda, irradiando para epigástrio, em aperto, de intensidade 8/10, com início súbito há cerca de 1 hora, após refeição. Ao exame, encontra-se ansioso e sudoreico; pressão arterial = 100 x 60 mmHg; frequência cardíaca = 72 bpm; frequência respiratória = 24 irpm, sem outros achados no exame físico. Foi realizado um eletrocardiograma cujo resultado é apresentado a seguir: O paciente foi monitorizado, recebeu ácido acetilsalicílico (AAS), morfina e oxigênio, sendo contactado hospital de apoio para transferência. Como não havia previsão de vaga para as próximas horas, decidiu-se pela realização de trombólise com alteplase seguida de anticoagulação com enoxaparina. A pressão arterial manteve-se em 100 x 60 mmHg. A conduta a ser adotada nesse caso é a administração de:

Alternativas

  1. A) Losartana por via oral.
  2. B) Clopidogrel por via oral.
  3. C) Metoprolol por via endovenosa.
  4. D) Nitroglicerina por via endovenosa.

Pérola Clínica

IAM com supra + Trombólise → AAS + Clopidogrel (300mg se <75 anos) + Anticoagulação.

Resumo-Chave

Em pacientes com IAMCSST submetidos à fibrinólise, a associação de Clopidogrel ao AAS é obrigatória para manter a patência do vaso e reduzir eventos isquêmicos recorrentes.

Contexto Educacional

O manejo do Infarto Agudo do Miocárdio com Supra de ST (IAMCSST) em locais sem acesso imediato à angioplastia primária baseia-se na fibrinólise química. A terapia medicamentosa adjuvante é crucial e inclui a dupla antiagregação plaquetária (DAPT) com AAS e Clopidogrel, além da anticoagulação plena (preferencialmente com enoxaparina). Este caso ilustra a conduta em uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) onde a transferência para cineangiocoronariografia não é imediata. A escolha do clopidogrel (Alternativa B) completa o protocolo de reperfusão, visando prevenir a reoclusão do vaso infartado. É importante notar que nitratos e beta-bloqueadores devem ser usados com cautela em pacientes com pressão arterial limítrofe (100x60 mmHg), priorizando-se a estabilização e a reperfusão.

Perguntas Frequentes

Qual a dose de clopidogrel na trombólise?

Para pacientes com menos de 75 anos submetidos à fibrinólise, a dose de ataque recomendada de clopidogrel é de 300 mg, seguida por uma dose de manutenção de 75 mg ao dia. Em pacientes com 75 anos ou mais, a dose de ataque deve ser omitida, iniciando-se diretamente com 75 mg para reduzir o risco de sangramento intracraniano.

Por que usar clopidogrel e não ticagrelor na trombólise?

O clopidogrel é o inibidor P2Y12 de escolha em protocolos de fibrinólise porque foi o medicamento extensivamente estudado em grandes ensaios clínicos (como o CLARITY-TIMI 28) demonstrando segurança e eficácia em conjunto com trombolíticos. O uso de ticagrelor ou prasugrel nesse cenário específico carece de evidência robusta de segurança quanto ao risco hemorrágico.

Quais são os critérios de reperfusão após trombólise?

Os principais critérios de reperfusão clínica e eletrocardiográfica incluem: redução do supra-desnivelamento do segmento ST em mais de 50% em 60-90 minutos, desaparecimento ou melhora significativa da dor torácica, e a ocorrência de arritmias de reperfusão, como o ritmo idioventricular acelerado (RIVA).

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