USP/HCFMUSP - Hospital das Clínicas da FMUSP (SP) — Prova 2020
Homem de 68 anos de idade, fumante 30 maços-ano, tem doença renal crônica em programação de diálise. Chega em Pronto-Socorro com história de mal-estar e náuseas há 40 minutos. Apresenta PA 150x100 mmHg, sem outras alterações do exame clínico. Feito o eletrocardiograma a seguir. Qual é o diagnóstico?
Idoso com DRC e sintomas atípicos (náuseas, mal-estar) → sempre considerar IAM, mesmo sem dor torácica clássica.
Pacientes idosos, especialmente aqueles com comorbidades como doença renal crônica (DRC), podem apresentar sintomas atípicos de infarto agudo do miocárdio (IAM), como mal-estar e náuseas, em vez da dor torácica clássica. O eletrocardiograma é fundamental para o diagnóstico, buscando alterações isquêmicas como supradesnivelamento do segmento ST.
O infarto agudo do miocárdio (IAM) é uma das principais causas de morbimortalidade global, e seu diagnóstico precoce é crucial para o sucesso do tratamento. Em populações específicas, como idosos e pacientes com doença renal crônica (DRC), a apresentação clínica pode ser atípica, dificultando o reconhecimento. A DRC, em particular, é um equivalente de risco coronariano, e esses pacientes frequentemente têm doença aterosclerótica extensa e sintomas menos evidentes devido a neuropatia autonômica. A suspeita clínica de IAM deve ser mantida mesmo na ausência de dor torácica clássica, especialmente em pacientes com múltiplos fatores de risco cardiovascular, como tabagismo e hipertensão. Sintomas como mal-estar, náuseas, dispneia ou fadiga podem ser as únicas manifestações. A realização de um eletrocardiograma de 12 derivações é mandatório e deve ser interpretada rapidamente em qualquer paciente com suspeita de síndrome coronariana aguda. O manejo do IAM em pacientes com DRC pode ser desafiador devido à necessidade de ajustar doses de medicamentos e considerar o risco de nefropatia por contraste em procedimentos invasivos. A estratificação de risco e a intervenção precoce, seja por reperfusão farmacológica ou mecânica, são pilares do tratamento, visando minimizar a área de infarto e preservar a função ventricular.
Em idosos e pacientes com doença renal crônica, o IAM pode se manifestar com sintomas atípicos como mal-estar geral, náuseas, vômitos, dispneia, fadiga inexplicável, síncope ou dor epigástrica, em vez da dor torácica anginosa clássica.
A doença renal crônica (DRC) é um potente fator de risco para doença cardiovascular devido à inflamação crônica, estresse oxidativo, disfunção endotelial, calcificação vascular e distúrbios do metabolismo mineral, que aceleram a aterosclerose e aumentam o risco de eventos isquêmicos.
As alterações eletrocardiográficas que sugerem IAM incluem supradesnivelamento do segmento ST (IAMCSST), infradesnivelamento do segmento ST, inversão de onda T ou ondas Q patológicas. A localização e extensão dessas alterações guiam o diagnóstico e a conduta.
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