IAM: Reconhecendo Sinais Atípicos e Fatores de Risco

HSM - Hospital Santa Marta (DF) — Prova 2023

Enunciado

Um paciente de 61 anos de idade, sedentário, obeso e tabagista, há duas horas iniciou epigastralgia em queimação de forte intensidade após o almoço. O exame físico mostrou uma frequência cardíaca igual a 60 bpm, frequência respiratória = 25 irpm, SatO2 = 92% e PA = 100 mmHg x 60 mmHg, com ausculta cardíaca e pulmonar normais e sem edema de membros inferiores. Na admissão em uma unidade de pronto atendimento, ele realizou o eletrocardiograma (ECG) a seguir. Qual é a principal hipótese de diagnóstico?

Alternativas

  1. A) Bloqueio de ramo direito.
  2. B) Infarto agudo do miocárdio
  3. C) Síndrome de Wolf Parkinson White
  4. D) Hipertonia vagal
  5. E) Fibrilação atrial

Pérola Clínica

Epigastralgia em paciente com fatores de risco cardiovascular → sempre considerar IAM até prova em contrário, mesmo com FC normal.

Resumo-Chave

A epigastralgia em queimação, especialmente em pacientes com múltiplos fatores de risco cardiovascular (obesidade, tabagismo, sedentarismo, idade), deve levantar forte suspeita de Infarto Agudo do Miocárdio (IAM), mesmo que a frequência cardíaca não esteja taquicárdica. O ECG é fundamental para o diagnóstico diferencial e a conduta imediata.

Contexto Educacional

O Infarto Agudo do Miocárdio (IAM) é uma das principais causas de morbimortalidade global, sendo crucial seu reconhecimento precoce. Embora a dor torácica típica seja o sintoma mais conhecido, apresentações atípicas, como epigastralgia, dor no pescoço, mandíbula ou braços, e dispneia, são comuns, especialmente em pacientes idosos, mulheres e diabéticos. A presença de múltiplos fatores de risco cardiovascular, como sedentarismo, obesidade e tabagismo, aumenta significativamente a probabilidade de doença arterial coronariana. Na avaliação de um paciente com suspeita de IAM, mesmo com sintomas atípicos, a prioridade é a realização de um eletrocardiograma (ECG) em até 10 minutos da chegada ao pronto-socorro. O ECG pode revelar alterações isquêmicas que guiam a conduta, como a elevação do segmento ST, que indica IAM com supradesnivelamento do ST (IAMCSST), uma emergência que exige reperfusão imediata. A ausência de taquicardia ou hipotensão não exclui o diagnóstico, pois a apresentação hemodinâmica pode ser variável. Além do ECG, a dosagem de biomarcadores cardíacos, como as troponinas, é essencial para confirmar a lesão miocárdica. O manejo do IAM envolve medidas de suporte, alívio da dor, antiagregação plaquetária, anticoagulação e, quando indicado, estratégias de reperfusão. A alta suspeição clínica e a rápida investigação são determinantes para o prognóstico do paciente.

Perguntas Frequentes

Quais são os fatores de risco para Infarto Agudo do Miocárdio?

Os principais fatores de risco incluem idade avançada, tabagismo, obesidade, sedentarismo, hipertensão arterial, diabetes mellitus, dislipidemia e histórico familiar de doença coronariana precoce.

Como a epigastralgia pode estar relacionada ao IAM?

A epigastralgia pode ser uma manifestação atípica de IAM, especialmente em mulheres, idosos e diabéticos, devido à inervação autonômica compartilhada entre o coração e o trato gastrointestinal superior. É crucial diferenciá-la de causas gastrointestinais.

Qual a importância do ECG na suspeita de IAM com dor atípica?

O eletrocardiograma é a ferramenta diagnóstica inicial mais importante na suspeita de IAM. Ele pode revelar alterações isquêmicas como elevação do segmento ST, depressão do ST, inversão de onda T ou bloqueios de ramo, mesmo na presença de dor atípica.

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