Infarto Agudo do Miocárdio: Diagnóstico em Casos Atípicos

INTO - Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia Jamil Haddad (RJ) — Prova 2025

Enunciado

Homem de 67 anos, doente renal crônico, hipertenso e diabético, dá entrada na emergência por mal-estar e náuseas, há 30 minutos, acompanhados de sudorese. Ao exame clínico: pulso de 84 bpm; frequência respiratória 12 irpm; pressão arterial 168 x 104 mmHg em membro superior esquerdo; pulsos simétricos; bulhas cardíacas normofonéticas; exame clínico pulmonar e abdominal normais. Realizado, na sala de emergência, o eletrocardiograma a seguir:Assinale o provável diagnóstico:

Alternativas

  1. A) Hipercalcemia.
  2. B) Hipercalemia.
  3. C) Infarto agudo do miocárdio.
  4. D) Bloqueio de ramo esquerdo.
  5. E) Dissecção aguda de aorta.

Pérola Clínica

DRC, DM, HAS + mal-estar, náuseas, sudorese → IAM atípico até prova em contrário.

Resumo-Chave

Pacientes com comorbidades como doença renal crônica, hipertensão e diabetes frequentemente apresentam manifestações atípicas de infarto agudo do miocárdio, como mal-estar e náuseas, em vez da dor torácica clássica. A suspeita clínica deve ser alta nesses grupos de risco.

Contexto Educacional

O infarto agudo do miocárdio (IAM) é uma das principais causas de morbimortalidade global, sendo crucial seu reconhecimento precoce. Embora a dor torácica anginosa seja o sintoma clássico, uma parcela significativa de pacientes, especialmente idosos, mulheres e aqueles com comorbidades como diabetes mellitus e doença renal crônica (DRC), pode apresentar manifestações atípicas. Essas manifestações incluem mal-estar, náuseas, sudorese, dispneia ou dor epigástrica, o que pode atrasar o diagnóstico e o tratamento. Pacientes com DRC, hipertensão e diabetes possuem um risco cardiovascular aumentado devido à aterosclerose acelerada e disfunção endotelial. A fisiopatologia envolve um desequilíbrio entre a oferta e a demanda de oxigênio miocárdico, geralmente por ruptura de placa aterosclerótica e formação de trombo. O diagnóstico é baseado na história clínica, eletrocardiograma (ECG) e marcadores de necrose miocárdica (troponinas). O ECG é fundamental para identificar IAM com supradesnivelamento do segmento ST (IAMCSST), que exige reperfusão urgente. Para o residente, é vital manter um alto índice de suspeita de IAM em pacientes de risco com sintomas inespecíficos. A abordagem deve ser rápida, incluindo ECG imediato e dosagem de troponinas. O manejo inicial visa estabilizar o paciente, aliviar a dor, e iniciar terapias anti-isquêmicas e antitrombóticas, com a reperfusão sendo a pedra angular do tratamento no IAMCSST.

Perguntas Frequentes

Quais são os sintomas atípicos de infarto agudo do miocárdio?

Sintomas atípicos de IAM incluem mal-estar, náuseas, vômitos, sudorese, dispneia, fadiga inexplicável, dor epigástrica ou dor em outras localizações, sendo mais comuns em mulheres, idosos e diabéticos.

Por que pacientes com doença renal crônica têm maior risco de IAM?

Pacientes com DRC apresentam maior prevalência de fatores de risco cardiovasculares (hipertensão, diabetes, dislipidemia), inflamação crônica e calcificação vascular, aumentando significativamente o risco de doença arterial coronariana e IAM.

Qual a importância do ECG na suspeita de IAM atípico?

Mesmo com sintomas atípicos, o eletrocardiograma é a ferramenta diagnóstica inicial mais importante para identificar alterações isquêmicas agudas, como supradesnivelamento do segmento ST, que indicam IAM com supradesnivelamento de ST e demandam reperfusão imediata.

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