IAM de Parede Inferior: Diagnóstico e Manejo da Coronária Direita

USP/HCRP - Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2020

Enunciado

Homem, 45 anos, professor universitário, maratonista competidor frequente e sem fatores de risco para doença arterial coronária, muito estressado no trabalho, perdeu a esposa há poucos dias em acidente automobilístico. Refere dor intensa (8/10) retroesternal, sem irradiação, que persiste há duas horas. Recebeu de vizinho por via sublingual 1 comprimido de dinitrato de isossorbida há cerca de uma hora. Exame físico: FC = 50 bpm, rítmico, PA = 80/60 mmHg. Precórdio sem frêmitos ou sopros e sem estertores crepitantes pulmonares. ECG da entrada no hospital (ver figura). Qual é o diagnóstico mais provável ?

Alternativas

  1. A) Infarto agudo do miocárdio com oclusão da coronária direita.
  2. B) Síndrome de ""takotsubo"" (""coração partido"") com coronárias normais.
  3. C) ""Coração de atleta"" com repolarização ventricular precoce.
  4. D) Pericardite aguda com derrame pericárdico.

Pérola Clínica

Dor retroesternal + bradicardia + hipotensão pós-nitrato + ECG com supra de ST → IAM de parede inferior por oclusão de coronária direita.

Resumo-Chave

O infarto agudo do miocárdio de parede inferior, frequentemente causado pela oclusão da coronária direita, pode cursar com bradicardia e hipotensão devido ao envolvimento do nó sinusal e/ou AV. O uso de nitratos nesses casos pode exacerbar a hipotensão, sendo contraindicado ou usado com extrema cautela.

Contexto Educacional

O Infarto Agudo do Miocárdio (IAM) com supradesnivelamento do segmento ST é uma emergência médica que exige reperfusão imediata. O IAM de parede inferior, frequentemente causado pela oclusão da artéria coronária direita (CD), é um subtipo importante devido às suas particularidades clínicas e de manejo. A compreensão da anatomia coronariana e suas implicações clínicas é fundamental para o residente. A coronária direita irriga a parede inferior do ventrículo esquerdo, o ventrículo direito (VD), o nó sinoatrial e o nó atrioventricular. Por isso, a oclusão da CD pode manifestar-se com bradicardia (por disfunção dos nós) e hipotensão (por disfunção do VD e dependência da pré-carga). A administração de nitratos, que reduzem a pré-carga, é contraindicada ou deve ser feita com extrema cautela em IAM de parede inferior, especialmente com envolvimento do VD, pois pode precipitar choque cardiogênico. O ECG é a ferramenta diagnóstica inicial, mostrando supra de ST em II, III e aVF. O manejo do IAM com supra de ST inclui reperfusão (angioplastia primária ou trombólise), antiagregantes plaquetários, anticoagulantes e outras terapias de suporte. É crucial que o residente saiba identificar os sinais de IAM de parede inferior, reconhecer as contraindicações relativas aos nitratos e compreender a importância da avaliação do ventrículo direito. O diagnóstico diferencial com condições como a Síndrome de Takotsubo, que mimetiza o IAM em contextos de estresse, também é um ponto de atenção para a prática clínica.

Perguntas Frequentes

Quais são as características do ECG em um IAM de parede inferior?

O IAM de parede inferior tipicamente apresenta supradesnivelamento do segmento ST nas derivações II, III e aVF. Pode haver também infradesnivelamento recíproco em aVL e V1-V2. É crucial investigar o ventrículo direito com derivações direitas (V3R, V4R).

Por que a oclusão da coronária direita pode causar bradicardia e hipotensão?

A coronária direita irriga o nó sinoatrial (em 60% dos casos) e o nó atrioventricular (em 90% dos casos). Sua oclusão pode levar a bradicardias e bloqueios atrioventriculares. Além disso, o IAM de ventrículo direito, comum na oclusão da CD, causa disfunção ventricular direita e dependência da pré-carga, resultando em hipotensão.

Como diferenciar IAM de Síndrome de Takotsubo em um paciente com estresse?

Ambas podem apresentar dor torácica e alterações de ECG, mas a Síndrome de Takotsubo (cardiomiopatia por estresse) geralmente ocorre após estresse emocional ou físico intenso, com coronárias normais na angiografia e disfunção ventricular esquerda transitória com padrão de balonamento apical.

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