CBO Teórica 1 - Prova de Bases da Oftalmologia — Prova 2022
A inervação da córnea é feita, principalmente, por quais nervos ciliares?
Sensibilidade corneana = Nervo Nasociliar (V1) → Nervos Ciliares Posteriores Longos.
A córnea recebe sua rica inervação sensorial predominantemente dos nervos ciliares posteriores longos, ramos do nervo nasociliar (divisão oftálmica do trigêmeo).
A inervação corneana é fundamental não apenas para a percepção de dor, mas para a manutenção da integridade da superfície ocular. Os nervos ciliares posteriores longos (geralmente dois, um medial e um lateral) transportam fibras aferentes que respondem a estímulos mecânicos, térmicos e químicos. Ao atingirem o limbo, esses nervos formam um plexo anular. As fibras que penetram na córnea perdem a mielina após cerca de 1-2 mm, tornando-se transparentes. A densidade de terminações nervosas no epitélio corneano é cerca de 300 a 600 vezes maior que a da pele, o que explica a dor intensa associada a erosões epiteliais simples. Além da função sensorial, esses nervos liberam neuropeptídeos (como a Substância P) que modulam a cicatrização e o metabolismo das células epiteliais.
A sensibilidade da córnea provém do nervo trigêmeo (V par craniano), especificamente de sua primeira divisão, o nervo oftálmico (V1). Dentro da órbita, o nervo oftálmico se ramifica, e o nervo nasociliar dá origem aos nervos ciliares posteriores longos, que perfuram a esclera e caminham pelo espaço supracoroidiano até atingir o limbo e penetrar no estroma corneano.
Ao entrar no estroma anterior, os nervos perdem sua bainha de mielina para manter a transparência corneana. Eles formam o plexo estromal e, em seguida, perfuram a membrana de Bowman para formar o plexo subbasal (entre a Bowman e o epitélio). Este plexo é extremamente denso, tornando a córnea um dos tecidos mais sensíveis do corpo humano.
A lesão desses nervos ou de seus ramos resulta em hipoestesia ou anestesia corneana. Isso compromete o reflexo de piscar e a liberação de fatores neurotróficos essenciais para a regeneração epitelial, levando à ceratopatia neurotrófica. Esta condição é caracterizada por defeitos epiteliais persistentes, ulcerações assépticas e risco de perfuração ocular.
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