CBO Teórica 1 - Prova de Bases da Oftalmologia — Prova 2023
A respeito da anatomia ocular, assinale a alternativa correta:
Epitélio corneano = Altamente inervado por terminais livres dos nervos ciliares longos (ramo V1).
A córnea possui uma das maiores densidades de terminais nervosos do corpo, originados dos nervos ciliares longos, que perdem a mielina ao penetrar no estroma para manter a transparência.
A compreensão da anatomia microscópica ocular é base para o diagnóstico de patologias da superfície ocular. A inervação corneana, derivada do nervo trigêmeo, não apenas provê sensibilidade, mas também suporte neurotrófico; lesões nesses nervos resultam em ceratite neurotrófica, uma condição grave de difícil tratamento. No limbo, a organização das paliçadas de Vogt é um marcador de saúde ocular. A destruição desse nicho (deficiência de células-tronco limbares) leva à invasão da córnea por tecido conjuntival (neovascularização e opacidade). Além disso, a interface entre o epitélio e o filme lacrimal, mediada por microvilosidades, destaca a complexidade biológica necessária para manter a principal lente refrativa do olho em condições ideais de funcionamento.
A córnea é inervada principalmente pelos nervos ciliares longos, que são ramos da divisão oftálmica do nervo trigêmeo (V1). Esses nervos entram no estroma corneano na periferia (limbo) e perdem suas bainhas de mielina após percorrerem cerca de 2 a 3 milímetros para garantir a transparência óptica. Eles formam um plexo subepitelial denso e terminam como terminais nervosos livres entre as células epiteliais. Essa densa rede de fibras nociceptivas explica a extrema sensibilidade da córnea a estímulos mecânicos, químicos e térmicos, desempenhando um papel vital no reflexo de piscar e na manutenção da homeostase da superfície ocular através da liberação de neuropeptídeos tróficos.
As paliçadas de Vogt são projeções radiais de tecido fibrovascular localizadas no limbo corneoescleral. Elas não são acelulares; pelo contrário, são estruturas altamente organizadas que abrigam o nicho das células-tronco epiteliais limbares (limbal stem cells). Essas células são responsáveis pela renovação contínua do epitélio corneano e atuam como uma barreira contra a conjuntivalização da córnea. Histologicamente, as paliçadas consistem em cristas de epitélio espessado que se estendem para o estroma subjacente, protegendo as células-tronco de danos externos e radiação UV, garantindo a integridade e a transparência da superfície corneana ao longo da vida.
Tanto as células superficiais da conjuntiva quanto as do epitélio corneano apresentam microvilosidades e micropregas em sua membrana apical. Essas estruturas são fundamentais para a estabilidade do filme lacrimal, pois aumentam a área de superfície e permitem a ancoragem das glicoproteínas (mucinas) do glicocálix. Essa interação transforma a superfície celular, que seria naturalmente hidrofóbica, em uma superfície hidrofílica, permitindo que a camada aquosa da lágrima se espalhe uniformemente e permaneça aderida ao olho. Sem essas microvilosidades, o filme lacrimal se romperia rapidamente, levando à dessecação epitelial, perda de transparência e comprometimento da qualidade visual.
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