MedEvo Simulado — Prova 2026
Uma gestante de 24 anos, primigesta, com 41 semanas de idade gestacional confirmada por ultrassonografia realizada com 8 semanas, comparece à maternidade para avaliação devido à idade gestacional avançada. Ela nega comorbidades prévias, queixas urinárias ou perda de líquido amniótico. Ao exame físico, apresenta-se em bom estado geral, com pressão arterial de 115x75 mmHg e frequência cardíaca de 82 bpm. A altura uterina é de 35 cm e a dinâmica uterina está ausente. A cardiotocografia basal é classificada como Categoria I, demonstrando boa vitalidade fetal. Ao realizar o toque vaginal, o examinador observa que o colo uterino está em posição posterior, com consistência firme, apresentando 1 cm de dilatação e aproximadamente 20% de esvaecimento. O polo cefálico fetal encontra-se alto e móvel, posicionado no plano -3 de De Lee. A paciente nega qualquer cirurgia uterina prévia. Com base nesse quadro clínico, a conduta mais adequada é:
Bishop < 6 → amadurecer colo (Misoprostol/Foley); Bishop ≥ 6 → induzir (Ocitocina/Amniotomia).
Em gestantes com 41 semanas e colo desfavorável (Bishop baixo), o amadurecimento cervical com misoprostol é a conduta de escolha antes da indução com ocitocina.
A conduta na gestação cronologicamente prolongada (≥ 41 semanas) visa reduzir os riscos de morbimortalidade perinatal associados à insuficiência placentária. A decisão entre aguardar o início espontâneo do parto ou induzir depende da vitalidade fetal e do desejo da paciente, mas a indução é frequentemente recomendada ao atingir 41 semanas. A escolha do método de indução é guiada pelo Índice de Bishop. No caso clínico apresentado, a paciente possui um Bishop baixo (colo posterior, firme, 1cm, 20% esvaecido, plano -3), o que caracteriza um colo altamente desfavorável. O misoprostol vaginal na dose de 25 mcg é o padrão-ouro para o amadurecimento cervical em mulheres sem cirurgias uterinas prévias, permitindo que o colo se torne mais macio e dilatado antes do início da fase ativa ou do uso complementar de ocitocina.
O Índice de Bishop é um sistema de pontuação utilizado para avaliar a 'favorabilidade' do colo uterino para o parto vaginal. Ele analisa cinco parâmetros: dilatação, esvaecimento, consistência, posição do colo e a altura da apresentação fetal (planos de De Lee). Uma pontuação menor que 6 indica um colo desfavorável, sugerindo a necessidade de métodos de amadurecimento cervical (como misoprostol ou sonda de Foley) antes da indução propriamente dita com ocitocina.
A ocitocina é eficaz para estimular contrações uterinas, mas tem pouco efeito na remodelação do colágeno cervical necessária para o esvaecimento e dilatação de um colo 'imaturo'. O uso de ocitocina isolada em colos com Bishop baixo está associado a altas taxas de falha de indução. O misoprostol, um análogo da prostaglandina E1, promove tanto o amadurecimento do colo quanto o início das contrações, sendo superior para iniciar o processo em colos desfavoráveis.
A principal contraindicação absoluta ao uso de misoprostol (prostaglandinas) para indução do parto é a presença de cicatriz uterina prévia, como em pacientes com cesariana anterior ou miomectomia. Nesses casos, o risco de ruptura uterina é significativamente aumentado. Para essas pacientes com colo desfavorável, o método mecânico (sonda de Foley) é a alternativa preferencial.
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