MedEvo Simulado — Prova 2026
Uma gestante de 32 anos, secundigesta, com um parto cesáreo prévio há 3 anos (incisão segmentar transversa por apresentação pélvica), encontra-se atualmente com 40 semanas e 2 dias de gestação. Ela nega comorbidades e deseja tentar o parto vaginal (TOLAC). Ao exame físico, apresenta-se em bom estado geral, PA 110/70 mmHg, altura uterina de 35 cm e batimentos cardiofetais de 144 bpm, rítmicos. Ao exame vaginal, o colo uterino está posterior, grosso, fechado e com esvaecimento de 0% (Índice de Bishop igual a 2). A estimativa de peso fetal pela ultrassonografia de ontem era de 3.650g e o índice de líquido amniótico estava normal. Diante do desejo materno de evitar uma nova cirurgia e da necessidade de interrupção da gestação por idade gestacional, a conduta mais adequada para a indução do trabalho de parto nesta paciente é:
Cicatriz uterina + colo desfavorável → Método mecânico (Foley). Misoprostol é PROIBIDO.
Em pacientes com cesárea prévia, o uso de análogos de prostaglandina (misoprostol) é contraindicado pelo alto risco de rotura uterina. O amadurecimento cervical deve ser mecânico.
A indução do trabalho de parto em pacientes com cicatriz uterina prévia exige cautela extrema. O Índice de Bishop avalia a favorabilidade do colo (dilatação, esvaecimento, consistência, posição e altura da apresentação). Quando o Bishop é baixo, o amadurecimento cervical é necessário. Enquanto em úteros sem cicatriz as prostaglandinas são padrão-ouro, na presença de cicatriz segmentar transversa, o método mecânico (balão de Foley) é a alternativa segura validada por evidências. A ocitocina pode ser utilizada após o amadurecimento ou se o colo já for favorável, mas sempre com vigilância rigorosa.
O misoprostol é um análogo da prostaglandina E1 que promove contrações uterinas potentes e amadurecimento cervical. Em úteros com cicatriz prévia (de cesárea ou miomectomia), essas contrações aumentam significativamente o risco de deiscência da cicatriz e rotura uterina catastrófica, com risco de morte materna e fetal. Por isso, a maioria dos protocolos internacionais e nacionais contraindica seu uso em pacientes com uma ou mais cesáreas anteriores.
O método de Foley consiste na introdução de uma sonda de Foley através do canal cervical, insuflando-se o balão acima do orifício interno do colo, entre as membranas e o segmento uterino inferior. Ele atua por pressão mecânica direta e pelo estímulo à liberação local de prostaglandinas endógenas. É o método de escolha para amadurecimento cervical quando o Índice de Bishop é desfavorável (<6) e há contraindicação aos métodos farmacológicos.
O Trabalho de Parto Após Cesárea (TOLAC) tem maior chance de sucesso (VBAC) quando a indicação da cesárea anterior não foi recorrente, quando o trabalho de parto inicia espontaneamente, em pacientes jovens e com IMC normal. A monitorização contínua da frequência cardíaca fetal e da atividade uterina é obrigatória durante o processo para detecção precoce de sinais de rotura uterina.
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