MedEvo Simulado — Prova 2026
Camila, 31 anos, secundigesta com uma cesárea prévia há 4 anos (por apresentação pélvica), encontra-se com 41 semanas de gestação em acompanhamento de pré-natal de baixo risco. Ela manifesta o desejo de tentar o parto vaginal após cesárea (TOLAC). Ao exame físico, apresenta-se em bom estado geral, normotensa, com dinâmica uterina ausente e batimentos cardiofetais de 144 bpm, rítmicos. Ao toque vaginal, os achados foram os seguintes: | Parâmetro do Colo Uterino | Achado ao Exame | |:--- |:--- | | Dilatação | 1 cm | | Apagamento | 20% | | Consistência | Firme | | Posição | Posterior | | Altura da Apresentação (De Lee) | -3 | Considerando o quadro clínico e o desejo da paciente, a conduta mais adequada é:
Cesárea prévia + colo desfavorável → indução mecânica (Foley); Misoprostol é contraindicado pelo risco de ruptura.
Em gestantes com cicatriz uterina prévia e colo imaturo (Bishop < 6), o uso de prostaglandinas é proscrito. O método de Krause (sonda de Foley) é a escolha segura.
A indução do trabalho de parto em pacientes com uma cesárea anterior (TOLAC - Trial of Labor After Cesarean) é uma prática aceitável, mas exige rigor técnico. O principal desafio é o colo uterino desfavorável (Bishop baixo), comum em gestações que ultrapassam as 41 semanas. Enquanto em úteros sem cicatriz as prostaglandinas são a primeira linha, na presença de cicatriz, o risco de ruptura uterina inviabiliza o uso de Misoprostol ou Dinoprostona. O método mecânico (Sonda de Foley) destaca-se como a alternativa mais segura, pois promove o amadurecimento cervical por estiramento mecânico e liberação local de mediadores inflamatórios sem induzir taquissistolia. Estudos mostram que o sucesso do parto vaginal após uma cesárea é de aproximadamente 60-80%, e a escolha correta do método de indução é determinante para manter a segurança materna e reduzir a taxa de cesáreas de repetição desnecessárias.
O Misoprostol é um análogo da prostaglandina E1 que promove contrações uterinas potentes e amolecimento do colo. Em úteros com cicatriz prévia (como de uma cesárea), essas contrações aumentam significativamente o risco de ruptura uterina na zona de fragilidade da cicatriz, podendo levar a desfechos catastróficos materno-fetais. Por isso, seu uso é proscrito para indução de parto com feto vivo nessas pacientes.
O Método de Krause consiste na introdução de uma sonda de Foley através do orifício interno do colo uterino, seguida pela insuflação do balão (geralmente com 30-50ml). O balão exerce pressão mecânica sobre o segmento inferior do útero e o colo, estimulando a liberação endógena de prostaglandinas e promovendo a dilatação mecânica, sem causar hiperestimulação uterina, sendo seguro para cicatrizes prévias.
A ocitocina pode ser utilizada em pacientes com cesárea anterior, mas preferencialmente quando o colo já está favorável (Índice de Bishop ≥ 6). Se o colo estiver desfavorável, deve-se primeiro realizar o preparo mecânico com sonda de Foley. O uso da ocitocina deve ser cauteloso, com monitorização rigorosa da dinâmica uterina e dos batimentos cardiofetais para detectar sinais precoces de ruptura iminente.
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