MedEvo Simulado — Prova 2026
Beatriz, 30 anos, G2P1C1 (parto cesáreo prévio há 4 anos por apresentação pélvica), comparece à consulta de pré-natal com 41 semanas de gestação. A gestação atual transcorreu sem intercorrências. O feto encontra-se em apresentação cefálica, com estimativa de peso fetal por ultrassonografia de 3.450g e índice de líquido amniótico normal. A cardiotocografia basal é classificada como categoria I. Ao exame físico vaginal, o colo uterino encontra-se grosso, posterior, fechado e com consistência firme (Índice de Bishop igual a 2). Após discussão sobre riscos e benefícios, a paciente manifesta o desejo de tentar o parto vaginal. Diante do quadro clínico e do desejo da paciente, a conduta mais adequada para a indução do trabalho de parto é:
Cesárea prévia + Bishop < 6 → Indução mecânica (Foley). Misoprostol é contraindicado!
Em gestantes com cicatriz uterina prévia e colo desfavorável, o uso de análogos de prostaglandina aumenta o risco de rotura uterina, sendo o cateter de Foley a escolha segura.
A indução do trabalho de parto em pacientes com uma cesárea prévia (VBAC) é uma prática segura, desde que respeitadas as contraindicações farmacológicas. O principal desafio é o colo uterino desfavorável (Bishop < 6). O uso de métodos mecânicos, como o cateter de Foley, oferece uma alternativa eficaz que não aumenta o risco de rotura uterina em comparação com a conduta expectante, ao contrário das prostaglandinas. A monitorização fetal contínua e a vigilância de sinais de rotura (dor abdominal intensa, sangramento vaginal, alteração de batimentos) são fundamentais durante todo o processo de indução e condução do parto vaginal pós-cesárea.
O misoprostol é um análogo sintético da prostaglandina E1 que promove contrações uterinas intensas e amolecimento cervical. Em úteros com cicatrizes prévias, como de uma cesárea ou miomectomia, essas contrações podem levar à hiperestimulação uterina (taquissistolia) e aumentar significativamente o risco de rotura uterina na zona de menor resistência da cicatriz. Por isso, diretrizes como as da FEBRASGO e ACOG contraindicam seu uso nessas circunstâncias específicas para indução do parto.
O método de Foley consiste na inserção de um cateter através do orifício interno do colo uterino, seguido pela insuflação do balão com 30 a 60 ml de soro. Ele atua mecanicamente, exercendo pressão direta sobre o colo para promover dilatação, e bioquimicamente, estimulando a liberação endógena de prostaglandinas locais através do descolamento das membranas. É o método de escolha para preparo de colo desfavorável em pacientes com contraindicação farmacológica.
A expulsão espontânea do cateter de Foley geralmente indica que o colo atingiu uma dilatação de aproximadamente 3 a 4 cm e tornou-se mais favorável (aumento do Índice de Bishop). Após a expulsão, a paciente deve ser reavaliada. Se o trabalho de parto não se iniciou espontaneamente, a conduta habitual é prosseguir com a indução utilizando ocitocina intravenosa ou realizar a amniotomia, dependendo das condições clínicas e da paridade da paciente.
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