HSA Guarujá - Hospital Santo Amaro de Guarujá (SP) — Prova 2025
Uma paciente de 28 anos, com diagnóstico de infertilidade primária, foi submetida à avaliação clínica e exames laboratoriais, que apresentaram níveis normais de FSH, LH, prolactina e função tireoidiana. A histerossalpingografia revelou trompas de Falópio pérvias. Qual seria a próxima conduta mais adequada?
Infertilidade + exames hormonais e tubários normais → principal suspeita é anovulação = indução com citrato de clomifeno.
Em mulheres com infertilidade por ciclos anovulatórios, mas com o eixo hipotálamo-hipófise-ovário funcional e trompas pérvias, o citrato de clomifeno é a terapia de primeira linha. Ele age como um modulador seletivo do receptor de estrogênio, aumentando a secreção de FSH e LH e estimulando o desenvolvimento folicular.
A infertilidade é definida como a incapacidade de um casal conceber após 12 meses de relações sexuais regulares e desprotegidas. A anovulação crônica é uma das causas mais comuns de infertilidade feminina, respondendo por cerca de 25% dos casos. A abordagem diagnóstica inicial envolve uma avaliação hormonal completa, análise do sêmen do parceiro e verificação da perviedade tubária. Quando a investigação revela um eixo hormonal funcional (normogonadotrófico), ausência de fator masculino e trompas pérvias, a principal hipótese diagnóstica é a disfunção ovulatória, como a encontrada na Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP). Nesses cenários, a conduta inicial visa restabelecer os ciclos ovulatórios de forma simples e segura. O citrato de clomifeno é o fármaco de primeira escolha para essa finalidade há décadas. O tratamento com clomifeno é iniciado geralmente no início do ciclo menstrual (do 3º ao 5º dia) por cinco dias, em doses crescentes, se necessário. O objetivo é induzir o desenvolvimento de um ou poucos folículos dominantes. O monitoramento do ciclo pode ser feito com ultrassonografia transvaginal para avaliar a resposta ovariana e programar o coito. O sucesso do tratamento é avaliado pela ocorrência de ovulação e, subsequentemente, pela gravidez, com taxas de ovulação em torno de 80% e de gravidez cumulativa de até 60% após seis ciclos.
Antes de prescrever clomifeno, é fundamental confirmar a perviedade das trompas de Falópio (geralmente por histerossalpingografia), realizar uma avaliação hormonal basal (FSH, LH, TSH, prolactina) para excluir outras causas, e ter um espermograma do parceiro com resultados normais.
O clomifeno é um modulador seletivo do receptor de estrogênio (SERM). Ele se liga aos receptores de estrogênio no hipotálamo, bloqueando o feedback negativo do estrogênio endógeno. O hipotálamo interpreta isso como um estado de hipoestrogenismo e aumenta a pulsatilidade do GnRH, o que leva a uma maior liberação de FSH e LH pela hipófise, estimulando o crescimento folicular ovariano.
Os principais riscos são a gestação múltipla, que ocorre em cerca de 5 a 10% dos ciclos, e a Síndrome de Hiperestimulação Ovariana (SHO), que é rara e geralmente leve com o uso de clomifeno. Outros efeitos colaterais podem incluir fogachos, desconforto abdominal e alterações visuais.
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